Dia a Dia

O monstro do rio

Por Diogo Joaquim de Souza Pereira

9 de julho de 2021

Reza a lenda que, há muito tempo, às margens do Rio São Francisco havia um animal descomunalmente forte e diferente dos outros. Todos tinham medo dele e ninguém queria descobrir onde ele morava.

Com o passar do tempo, as gerações futuras ficaram curiosas e com mais vontade de investigar o que era aquele animal. Certo dia, quatorze amigos que eram adolescentes, e extremamente curiosos, resolveram ir atrás daquele bicho. Ninguém tinha ideia de onde se poderia encontrá-lo. Até que um deles teve uma brilhante ideia e disse que poderiam começar a procurar na nascente, e irem descendo até o ponto em que o rio se encontra com o mar.

Na outra semana, começaram a procurar. Como eles moravam perto da nascente era bem fácil para eles chega[1]rem até lá. O dia foi passando e se cansaram de procurar. A noite caiu e, frustrados, tiveram que voltar para casa.

No outro dia, se reuniram e comentaram que a distância aumentaria e ficaria cada vez mais difícil chegarem até a foz do rio. Um deles sugeriu que cada um arrumasse um trabalho para pagar as despesas de viagem e comida. Os pais não aceitaram muito a ideia, pois achavam que eles eram muito novos para começar a trabalhar. O menino que estava como “capitão” conversou com os pais do restante, argumentando: como eles iriam se tornar adultos trabalhadores e responsáveis se não arrumassem um em[1]prego? Logo, logo os pais aceitaram a ideia.

No outro dia de manhã, cada um estava à procura de um emprego. Um foi até uma agropecuária e por sorte foi contratado. Os outros treze ainda estavam à procura de algum lugar. Após horas e horas de procura, três deles entraram em um supermercado como repositores. Outros seis foram trabalhar em um lavador de carros. O restante, como auxiliares de cozinheiros, no melhor restaurante da cidade.

Alguns meses se passaram e eles se reuniram novamente, só que desta vez, em uma casa que estava abandonada há anos. Chegando lá, um deles teve a ideia que os salvaria durante a busca. Discutindo durante horas e horas, decidiram que a ideia era extremamente boa e a utilizariam. Esta ideia era comprar barracas para não terem que ir e voltar todas as noites e para testá-las, marcaram um dia para dormir naquela mesma casa em que estavam.

Chegou o dia de dormirem, a casa estava silenciosa, não se ouvia nem os grilos que ficavam no jardim dos fundos. Todos estavam com medo e resolveram colocar as barracas viradas umas para as outras, em forma de círculo. Durante a noite, dois deles acordaram com um barulho estranho que estava vindo do banheiro. Com muito medo, eles não foram ver o que era. Mas às três horas da manhã, o barulho voltou e acordou a todos. Com medo de ser algum ladrão decidiram ver o que era. Quando chegaram no banheiro viram que era apenas um cachorro que estava sonhando e correndo no seu sonho.

De manhã, à hora do café, eles concordaram em ir atrás do tal misterioso animal. Esperaram o dia passar e começaram a descer rio abaixo, procurando algo fora do comum. Foi aí que acharam uns pássaros atacando uns aos outros. Aquilo não era algo normal, os pássaros lutaram até um deles morrer e quando o mais fraco morreu, o outro o comeu. Embasbacados, saíram com certo receio.

Continuaram a descer o rio com muita atenção. Foi quando viram uma coisa muito estranha. Havia uma pequena cachoeira onde a água não fluía normalmente, e jorrava de baixo para cima. Aí, eles resolveram entrar na água para descobrir o que era. O primeiro que entrou, sentiu algo puxando seu pé para baixo. Quando ele começou a afundar, gritou desesperadamente e pediu ajuda, mas naquele local havia algo que não deixava os rapazes escutá-lo.

Os amigos deram por falta dele e resolveram procura-lo. Numa pedra estava o boné dele e um osso quebrado. Parecia que o osso não era velho, e poderia ser de um animal morto recentemente. Uma semana se passou, e eles naquele lugar. A cada dia um dos amigos sumia: um ia para a floresta e não voltava; outro descia o rio para ver o que havia mais abaixo daquele lugar, se machucava e sangrava até a morte. A cada dia que se passava, mais um desaparecia. Assim sobraram apenas dois. Muito preocupados se sairiam vivos dali, resolveram caçar aquele animal. Procuraram incansavelmente em vão. Depois voltaram para suas barracas e bem ali estava o animal que era uma lenda.

O animal tinha a cabeça de um tigre, o corpo de uma gazela, as patas de um urso, e a força de um rinoceronte. Sem esperança, pensaram que iriam morrer ali mesmo, com fome, e no meio do mato. Cansado, um amigo olhou para o outro e o que tinha mais energia decidiu atacar o animal. Sem êxito, foi decapitado. O último sobrevivente com a certeza que morreria, ficou parado. A criatura não o viu e deu as costas a ele. Na mochila havia uma arma. Ele correu e atirou no animal, que morreu na hora.

Cansado de sofrer, e traumatizado, o rapaz resolveu se matar. Dizem que até hoje é possível escutar os gritos de dor dos amigos, e quem for corajoso o suficiente pode tentar encontrar os esqueletos, mas não se sabe se aquele ani-166 mal era apenas um, talvez fossem vários, ou até milhares, espalhados pelo rio. Após aqueles amigos, outros que foram também não retornaram. E você? Arrisque-se apenas se não tiver medo de não voltar…

DIOGO JOAQUIM DE SOUZA PEREIRA faz parte de um grupo de alunos do 3º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, que no ano de 2018, integrando um grupo organizado pela escritora Maria Mineira, com o apoio da Cooperativa Educacional de São Roque de Minas lançou em 2019: “ Letras da Canastra- Cooperativa Educacional Escrevendo História”. Para adquirir um exemplar entre em contato pelo e-mail: [email protected]