Colunas Dia a Dia

O melhor possível

20 de abril de 2020

Uma folha avulsa, de material didático do Instituto Maria Montessori, de Contagem, de 1994, trás um texto com o título citado, com alguns conselhos de autoria de Douglas Malloch. São conselhos interessantes e para serem pensados. Apenas, segui o texto como ele está, na íntegra, respeitando inclusive a pontuação.

“Se você não puder ser um pinheiro no topo da colina, / Seja uma pequena árvore no meio do vale; / Mas seja a melhor árvore à margem do regato… / Se não puder ser árvore, / Seja um ramo. / Se não puder ser um ramo, / Seja um pouco de relva / E dê alegria aos que passam no caminho. / Não podemos ser todos comandantes; / Temos de ser soldados. / Mas há um lugar para todos nós. / Existem grandes e pequenas obras / E sempre há uma tarefa que devemos realizar. / Se não puder ser uma estrada real, / Seja uma simples vereda. / Se não puder ser Sol, / Seja uma pequena estrela. / Mas seja o melhor que lhe for possível.”

O autor escolheu para o início do texto a figura de um pinheiro, uma árvore majestosa, bastante conhecida e que é utilizada nos enfeites natalinos. O texto é uma lição de vida para cada um de nós. A ambição natural do homem é crescer, é progredir, ser alguém na vida, ter sucesso, prestígio, ter valor. É muito bom que seja assim, desde que tal ambição não signifique apenas egoísmo, narcisismo, sem que haja preocupação alguma com os outros, com a sociedade. Tudo que conseguirmos ser na vida é muito importante para nós, mas, desde que os frutos de nosso sucesso, de nosso progresso, tenham valor e utilidade não apenas para nós, para a nossa comunidade também.

O autor inicia dizendo que se você não puder ser um pinheiro, seja uma pequena árvore. Realmente, não é tão importante ser alguém de destaque na vida, é importante sim, ser alguém de valor para você mesmo e principalmente para aqueles que o circundam, que participam de sua vida e da sua comunidade. Uma pessoa simples, humilde, honesta, sincera, produtiva, poderá ser até muito melhor que alguma pessoa famosa. Esta poderá ter muito valor também, se for alguém de bons princípios e útil na posição que ocupa, mas, não significa que aquela lá em baixo não possa ser tão boa ou até melhor que ela. Ainda diz o texto que, se você não puder ser uma árvore, que seja um ramo e até uma relva, mas, que dê alegria aos passantes que seguem pelo caminho. Você só poderá dar alegria a todos, inclusive a você mesmo, se estiver sendo útil para todos, inclusive para você.

Quantas vezes nos sentimos recompensados, tranquilos, felizes, alegres, por termos praticado uma boa ação e termos pautado a nossa vida no bem comum. Portanto, o importante não é ser grande na fama, no sucesso material, o importante é ser grande na alma, no coração, no valor que a própria pessoa se dá e no que ela oferece de bom para si e para os outros. É bem melhor passar a vida no anonimato, mas sendo útil, que passar a vida na fama e na grandeza, sendo inútil para a sociedade. De tais exemplos, o mundo está repleto. Não generalizo, pois sei que há as exceções, pessoas que atingiram alto grau de importância e popularidade e, às vezes, até se sacrificam para o bem comum. Estas ganham as luzes da mídia, merecidamente, é claro! Os anônimos, que também praticaram grandezas e, portanto, não menos importantes que aquelas, continuarão sendo anônimos ou reconhecidos por uma pequena parcela de pessoas que com eles convivem ou conviveram.

Assim o texto afirma que nem todos nós podemos ser comandantes, temos de ser soldados também. Mesmo assim, existe lugar para cada um de nós na sociedade e há pequenas e grandes obras para serem realizadas. Para cada um de nós sempre haverá uma tarefa para ser realizada com afinco, carinho e responsabilidade, seja ela uma pequena tarefa ou uma grande tarefa. Toda tarefa terá o seu valor e importância, pois se destina ao bem social. Diz ainda o autor que, se você não puder ser uma estrada real, ou seja, se não puder ser famoso, que seja uma vereda. Entendo eu que tal vereda, no entanto, deva ser muito bem cuidada, com plantas e flores lindas nas suas margens embelezando-a e perfumando-a. Nesta vereda, você carregará as suas boas obras.

O texto ainda termina dizendo que se você não puder ser o Sol, que seja uma estrela. E eu ainda completo: uma estrela brilhante. “Como diz o autor, você precisa ser o melhor que lhe for possível.” –

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG – ex-professor do ensino técnico comercial – formado no curso normal superior pela Unipac.