Dia a Dia

O livro dos recordes – Parte 1

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

28 de março de 2022

O “Guiness Book of Records” é considerado um anuário de publicação inglesa e que circula há muitos e muitos anos, sendo distribuído em vários países. Conhecido como “o livro dos recordes”, ele traz, realmente, inúmeras curiosidades espalhadas por todo nosso mundo. Consultando um exemplar do Almanaque do Pensamento de 1969, da Editora Pensamento Ltda., consta que naquela época, mais de um milhão de exemplares do anuário já tinham sido publicados. Sinal que o anuário havia conseguido grande popularidade internacional, além do seu país de origem. Os fatos relacionados no livro passam por um rigoroso exame crítico para comprovar que não são lendas, invenções ou mentiras.
Como o próprio nome do anuário sugere, a intenção é mostrar, ao grande público interessado no assunto, os feitos extraordinários e extravagantes de pessoas que buscam provar do que são capazes. Penso que não sejam pessoas interessadas apenas em fama ou reconhecimento, porque os recordes conseguidos por elas fazem fama por pouco tempo e não vi nenhuma menção a prêmios vantajosos ou mesmo um bom dinheiro indo para o bolso ou para conta bancária delas.
Bem, entre as proezas conquistadas na época encontramos as aqui mencionadas. Vejam que o almanaque é de 1969!
O indiano Masudiya conseguiu deixar que seu bigode crescesse até atingir 2 metros e 60 centímetros. É, pelo que pesquisei, o bigode no guidão, ou bigode de guidão. O texto simplifica dizendo que o indiano foi dono de respeitáveis guidões. Há uma referência ao guidão da bicicleta ou mesmo da motocicleta. Como ele fazia para colocar suas barbas de molho para dormir, ou melhor, aqui no caso, seu bigode? E durante o dia, para andar pela casa ou pelas ruas, como ele recolhia seu bigode para que nem ele mesmo tropeçasse nele? Ou preferia arrastar o bigode ou enrolá-lo nos braços para que todos observassem e admirassem aquilo? Bem, não vi explicação alguma, estou apenas conjecturando!
Um monge chinês, de Xangai, cujo nome não foi declinado, deixou de cortar as unhas dos seus 10 dedos das mãos durante dez anos. Elas atingiram o comprimento de 2 metros e 73 centímetros. Eu fico pensando: como esse monge podia usar suas mãos sem a incômoda interferência das gigantescas unhas? Como se alimentava, como executava seus trabalhos, como se banhava ou mesmo fazia suas necessidades fisiológicas? Até aí, tudo bem! Talvez não fosse tão difícil assim, mas, como fazia para se limpar, como cuidava de sua higiene? O almanaque também nada diz, apenas cita o feito.
Um outro fato curioso é referente a soluços. Até aquela data, ninguém havia superado o estadunidense Jack O’Leary que conseguiu a marca de 160 milhões de soluços no período de junho de 1948 até junho de 1956. Sim, milhões! No final, em 1956 ele foi acometido de uma crise deles. Também o almanaque não cita o desfecho dessa crise. Não ficamos sabendo se o cidadão faleceu com a crise, ou ele se recuperou! Se estiver vivo ainda, deva se aproximar dos 100 anos de idade. Para fazer uma certa sombra a ele, de alguma forma, o menino irlandês Beilby, não é mencionada a idade, em 1835 espirrou durante trinta dias sem parar. Foi calculada uma média de 3 espirros por minuto, algo para não causar inveja a ninguém! Foram contados 130.000 espirros consecutivos. Também não ficamos sabendo se ele se curou ou qual foi o desfecho de tão angustiante problema.
O anuário conhecido como “o livro dos recordes”, já citado no início do texto, tem revelado façanhas extraordinárias, extravagantes, excêntricas e também inimagináveis praticadas por seres humanos. Não conseguimos entender o que os seus “heróis” pretendem provar com suas façanhas. Se elas são apenas passatempos ou divertimentos ou se querem provar algo para si mesmos e buscando aprovação dos outros também. De qualquer maneira, são fatos e feitos que despertam em nós, não apenas admiração, mas respeito. Muitos dos recordes apresentados nos levam a imaginar o quanto é exigido de sacrifício, desprendimento e abnegação de tais pessoas. Será que valeu a pena ou continua a valer para aquelas pessoas que ainda estão buscando um lugarzinho no livro?
Bem, ainda temos mais um pouco para o próximo texto.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino comercial com reg. no MEC, formado no curso normal superior pela Unipac. E-mail: [email protected]