Dia a Dia

O Idoso

Décio Martins Cançado

3 de novembro de 2021

Dia 1º de outubro, comemorou-se o Dia Internacional do Idoso; ele foi instituído em 1991 pela ONU e tem como objetivo sensibilizar a sociedade para a necessidade de proteger e cuidar da população mais idosa. A mensagem desse dia é passar mais carinho a eles, muitas vezes, esquecidos pela sociedade e pela família.

Não há dúvidas. A família deveria ser o centro da vida do idoso e, dependendo do tipo de relacionamento, a velhice poderá ser vivida com maior ou menor qualidade. É na família que tudo pode acontecer, pois é ela que dá a ele o sentimento de ser aceito, amado e útil.

De acordo com pesquisas recentes, a população da terceira idade está aumentando, mas a sociedade não está preparada para conviver com ela, e as famílias não estão sabendo recebê-la. Elas, hoje, são pequenas, nucleares, moram em casas ou apartamentos pequenos e vivem em dificuldades econômicas. Não se pode afirmar que seja por falta de amor. É que tê-los em casa constitui, às vezes, um encargo pesado. Por isso, é na família que começam os maiores problemas dos idosos, ou se encontram as melhores soluções para eles.

Grande parte dos idosos de nosso país não tem moradia adequada, acesso aos serviços de saúde, lazer e informação. Muitos são desprezados pelos familiares e sofrem com a exclusão. Não que queiram privilégios, mas reivindicam e merecem respeito e dignidade. Eles querem participar, estar integrados na sociedade e sentirem-se pessoas e cidadãos úteis e ativos até o fim de seus dias. Para que isso aconteça, há que se mudar a mentalidade de uma sociedade que vê o idoso como objeto descartável. É necessário, por exemplo, dar um novo significado à aposentadoria, que não deveria representar apenas subsistência, mas sim, uma justa homenagem a quem lutou, trabalhou, produziu e construiu ao longo de toda uma vida. Quando o idoso conta com seus próprios rendimentos, ele fica livre de viver na dependência de outros e de ser considerado um peso morto. Ele precisa de apoio, respeito e, principalmente, carinho; pelo contrário, o paternalismo mascara, muitas vezes, as atitudes preconceituosas e discriminatórias, humilhando-o.

Outra questão que vem à tona no relacionamento familiar dos idosos é o choque de gerações, o confronto de ideias, comportamentos e hábitos entre pessoas que viveram épocas diferentes. O idoso pode muito bem conviver com os moços, aprender com eles, e estes, quando bem orientados, também gostam da companhia e dos ensinamentos de uma pessoa mais velha. A troca de experiências é enriquecedora para ambos.

A convivência entre gerações não é fácil. Conta-se que uma senhora foi morar com o filho e sua esposa, e que as duas não conseguiam viver em harmonia. A sogra vivia implicando com a nora, e vice versa. Estavam sempre discutindo, trocando acusações. Um dia, a nora pediu a um curandeiro que preparasse uma poção venenosa, que ela daria à sogra, aos poucos, sem que ninguém percebesse, e assim ficaria livre dela. O curandeiro advertiu que, enquanto a poção fosse sendo colocada na comida, ela deveria mudar seu modo de agir, tratando a sogra com gentileza, tendo paciência com suas implicâncias, dessa maneira, ninguém iria desconfiar quando ela morresse. A sogra, ao ser bem tratada, também mudou seu comportamento, passou a ser mais gentil, mais paciente, e as duas se tornaram grandes amigas. A nora, então, pediu ao curandeiro que providenciasse um antídoto contra o veneno. Ele explicou que não havia veneno algum, que a poção era apenas uma água com corante, e que ela, ao tomar a iniciativa de mudar seu comportamento, conseguiu também uma transformação na forma de agir de sua sogra, trazendo a paz e harmonia dentro do lar. Moral da história: Quando nós tomamos a iniciativa de mudança, muita coisa pode melhorar em nossa vida.

Não bastam as leis e a boa vontade para garantir os cuidados que os velhos merecem. Somente o amor fará a diferença, e o membro da família que cuida do idoso também precisa de orientação, estrutura e formação, porque essa é uma tarefa exigente e delicada.

Ainda bem que, hoje, o idoso é mais valorizado. Antes, eles ficavam enfurnados dentro de casa e não tinham voz na sociedade. Hoje, há inúmeros grupos da terceira idade, os conselhos dos idosos e outros movimentos; a voz dos idosos já pode ser ouvida e respeitada.