Dia a Dia

Mãe: Tudo de Bom!

POR SEBASTIÃO W. BORGES

5 de Maio de 2021

Neste final de semana, domingo, o destaque é o Dia das Mães! Procurando por ela, na memória ou na realidade, desde a entrada da casa, já há um sentimento de saudade. Saudade da Mãe nas casas mais modernas, da Mãe naquelas casas mais antigas, com portão de grade, aquelas que o trinco já está enferrujado que só a Mãe sabe abrir com facilidade.

Saudade das samambaias bonitas que só a mão da Mãe sabe cuidar ao longo do tempo. Saudade do cheiro das roupas recolhidas no varal. Saudade… “O amor de Mãe por seu filho é diferente de qualquer coisa do mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho.” (Agatha Christie)

Qual o filho que não se lembra da Mãe preparando um farto almoço, cuidando da casa, da estante, sempre limpando com um pedaço de flanela seu tesouro, vendo ali nos porta retratos os filhos, dentro de algum armário, a lembrança da infância nos livros dos filhos, e no quarto em cima de algum móvel o oratório de seu santo de fé com as velas para serem acesas na hora do pedido e do agradecimento. “Eu via minha Mãe rezando aos pés da virgem Maria. Era uma santa ouvindo o que a outra santa dizia”.

A Mãe, às vezes com lágrimas, tem que estar sorrindo, tem que saber dizer sempre as palavras do bem, como uma mestra, uma amiga. Mas às vezes também precisa ser enérgica, dura em suas atitudes, e ao mesmo tempo ser sensata e com um grande coração para proteger o filho e estar sempre ao seu lado, passando para o filho sua experiência de vida, seu saber de Mãe, esposa, de mulher, abençoando tudo e todos com doçura, com carinho e amor. “Os braços de uma Mãe são feitos de ternura e os filhos dormem profundamente neles” (Victor Hugo)

Os mais antigos devem se lembrar da Mãe ao redor do fogão de lenha, que às vezes com lenha verde enchia a casa de fumaça, olhando as latas em cima do armário, lustrando o piso com escovão, um pedaço de bolo assado numa caçarola de ferro, com brasas por cima de uma tampa de lata, o café sempre quente num bule esmaltado, e o vapor d’água na chaleira no fogão.

Na hora de dormir, as estórias com a Mãe sentada na cabeceira da cama, sua mão ajeitando a coberta, fazendo suas orações, ou rezando o terço do rosário, misturando as lágrimas às preces, pedindo infinitas graças ao bom Deus para ajudar o filho na dura caminhada da vida, e o beijo quando já estávamos para cair no sono.

A Mãe, mesmo estando com as pernas fracas, os passos lentos, a voz embargada pelo tempo, elas tem na lembrança a infância, a juventude e a maturidade dos filhos. E nesse tempo que passou, muitas lembranças ficaram de antigamente, lembranças que a Mãe deixa em cada filho, e que o tempo não apaga; suas gargalhadas, sorrisos, abraços, beijos… Quantas recordações! “Mamãe, Mamãe, Mamãe, eu te lembro chinelo na mão, o avental todo sujo de ovo, se eu pudesse, eu queria outra vez começar tudo, tudo de novo”…

Mãe, cozinhando, exalando temperos no ar, comida quentinha, cuidando das roupas, mantendo a casa limpa, controlando tudo, fazendo seu olhar falar mais que sua boca, e em sua simplicidade, seu mais belo e precioso colar é o abraço de um filho.

Nada se compara quando os filhos se reúnem na casa materna para um bom almoço, mesmo se as mãos maternas já estejam mais lentas com a idade e seu corpo com a marca da velhice, estar parecendo querer mergulhar docemente na eternidade. Quanta alegria emanada daqueles que ainda tem sua Mãe aqui na terra, ou aqueles como eu que tivemos uma Mãe santa, hoje, feliz na eternidade, residindo na mansão de Deus. Enfim, Mãe é tudo de bom, tão bom que até Deus quis uma para Ele!

Terminei de escrever este texto ontem à tarde e dedico essas palavras à recuperação de minha grande amiga: Hilda Mendonça: Força, amiga Hilda Mendonça! Nossa Associação dos Escritores depende muito de sua liderança e suas escritas. Vença logo esse vírus bobo! Saia logo da Santa Casa que estamos todos te esperando aqui fora, que é seu lugar, sempre a nos receber com sua bondade e seu sorriso!