Dia a Dia

Liberdade, maturidade e psicanálise

HÉLIO DE LIMA JÚNIOR

5 de janeiro de 2022

Do ponto de vista do conhecimento humano nota-se a busca por questões vinculadas a liberdade e maturidade, pois surgiram diversas abordagens filosóficas emitindo respostas diferenciadas no que concerne o sentido da existência.

Entretanto, o Alemão, Erich Fromm, da Escola de Frankfurt, Sociólogo, Filósofo e Psicanalista, edificou muitos trabalhos vinculados a teoria marxista e psicanalítica.

Erich Fromm expôs que Marx e Freud teceram suas teorias enfocando a liberdade humana, que é obtida à medida que o humano rompe com a cadeia das ilusões. Porém, o homem livre para Marx é o homem produtivo e ativo e para Freud é aquele capaz de satisfazer os seus desejos e necessidades emancipando da sua dependência materna. Fromm ressalta que o homem precisa vencer o profundo desejo de permanecer ligado à mãe para progredir.

Outro ponto crucial presente na teoria de Marx e Freud visa focalizar o poder da verdade, a tentativa do homem libertar das ilusões, das fantasias e mitos que são propulsores de equívocos e sofrimentos.

A teorização de Fromm na Escola Frankfurtiana expõe sobre a importância do homem abandonar o seu narcisismo e aceitar às castrações (ou as limitações) da existência, superando o infantilismo, tornando-o mais independente. Contudo na vida nada é obtida sem esforços, riscos e sofrimentos, pois a existência humana é marcada por situações de vulnerabilidade como: a velhice, a doença e a morte.

Fromm fazendo referência a Marx enfatiza que a paixão pela posse leva o humano à interminável luta de classes e certificando a necessidade de haver uma sociedade centrada nas pessoas e nunca nas coisas. Fromm observa que o amor vivido nos moldes do ter implica confinamento, sufocamento e controle, pois a neurose é a incapacidade de amar.

No que concerne ao sofrimento psíquico, Fromm enfatiza a relação com a inércia, ignorância de não saber e o que fazer da vida. A teoria psicanalítica visa sobretudo recuperar a capacidade de amar. Não existe o amor e sim o ato de amar que é uma atividade criadora que implica cuidado, conhecimento, ajuste e afirmação. Fromm percebe a necessidade do ser humano viver mais o SER do que o TER. Portanto a alegria de viver segundo Fromm está em dar, participar, não explorar e nem acumular.

HÉLIO DE LIMA JÚNIOR – Psicólogo, Psicanalista, Mestre em Psicologia Social e Psicanálise e Doutor em Saúde Coletiva. Passos e Itaú de Minas. [email protected]