Dia a Dia

Juventude e compromissos

Décio Martins Cançado

23 de novembro de 2021

Há muitos anos, já escutávamos que o problema da juventude é grave! Ora, estamos convivendo, diariamente, com crianças, jovens e idosos, em lugares onde homens e mulheres se reúnem com os mais variados propósitos, em que pessoas se encontram, visando a objetivos comuns, por diversos motivos e nas mais diferentes circunstâncias. Percebemos que as mãos que se encontram, que tomam decisões, estão preocupadas; as mãos que são comprometidas com grandes ideais estão sentindo que o mundo está caminhando, mas que precisa de definições, mudanças, de rumo. E tudo isso passa pela juventude, que já demonstrou, em outras oportunidades, sua força, quando decide se unir na luta por uma causa.

O problema é muito complexo, porque a juventude é uma força muito grande que não pode ser contida facilmente, quando se une por um ideal. Ela é um movimento, uma ‘facção’ da sociedade que tem que continuar, porém, precisa ser organizada, bem dirigida e orientada.
E quem, se não vocês, pais, professores, líderes comunitários, políticos ou espirituais, para serem orientadores, mesmo que indiretos, dessa juventude? Vocês, pessoas que, de uma forma ou outra, têm o dever de serem exemplos de despojamento, generosidade, de serviço ao próximo, desinteressadamente, de ‘ser’ o diferencial.

Feliz do jovem que, afortunado, pode contar com o privilégio de nascer em família estruturada, frequentar uma boa escola, aprender os valores necessários para se tornar um cidadão responsável, trabalhador e ético.

Feliz do jovem que luta por idealismo, que não tem problemas com tóxicos, que sabe discernir sobre os males da ociosidade e sabe encarar, de frente, o perigo do desajustamento.

“É preciso juntar objetividade e sonho, para que se possa ver cada jovem com um olhar novo, percebendo-o como alguém que hoje está conosco, mas pertence ao futuro. E tem o direito de aproveitar ao máximo esse seu tempo de família, de escola e de sociedade, para adquirir ferramentas que o ajudem no processo de compreensão do mundo, de participação social e construção de uma realidade que ainda não existe”, orienta-nos o Projeto Asas e Raízes.

E, como parte de um compromisso que cada um de nós deve assumir, deixo aqui, para análise e reflexão, um profundo texto denominado “Manifesto 2000”.

“Reconhecendo a minha cota de responsabilidade com o futuro da humanidade, especialmente com as crianças de hoje e as gerações futuras, eu me comprometo: – em minha vida diária, na minha família, na minha comunidade, na minha região e no meu país a: 1º) respeitar a vida e a dignidade de cada pessoa, sem discriminação ou preconceito; 2º) praticar a ‘não violência’ ativa, rejeitando a violência sob todas as formas: física, sexual, psicológica, econômica e social, em particular contra os grupos mais desprovidos e vulneráveis, como as crianças e os adolescentes; 3º) compartilhar o meu tempo e os meus recursos materiais em um espírito de generosidade, visando o fim da exclusão, da injustiça e da opressão política e econômica; 4º) defender a liberdade de expressão e a diversidade cultural, dando preferência ao diálogo e à escuta do que ao fanatismo, a difamação e a rejeição do outro; 5º) promover um comportamento de consumo que seja responsável, e práticas de desenvolvimento que respeitem todas as formas de vida e preservem o equilíbrio da natureza; 6º) contribuir para o desenvolvimento da minha comunidade, com a ampla participação de todos e o respeito pelos princípios democráticos, de modo a construir novas formas de solidariedade.”

Não é tão simples como uma receita de bolo, mas são compromissos que vão depender da boa vontade, da generosidade e do altruísmo de cada um de nós, e que, se assumidos integralmente, irão contribuir substancialmente para a melhoria da qualidade de vida, da obtenção da paz, e dos relacionamentos entre todos.

Acredito que seja necessário e urgente, e que não custa tentar, dando o primeiro passo. E você?