Dia a Dia

Juliano Moreira, o cientista afro-brasileiro

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

8 de novembro de 2021

Em 06/01/1873, nascia em Salvador, na Bahia, Juliano Moreira. Faleceu em 02/05/1933 em Petrópolis, RJ, aos 60 anos de idade, portador de tuberculose. Ele foi um médico que se especializou em psiquiatria. Estudava assuntos relativos à região tropical e suas doenças típicas. Era dermatologista, psicólogo, naturalista, psiquiatra e historiador. Ele se destacou numa época em que o racismo era estudado pela ciência, disfarçado de “racismo científico”.

Tentavam estudar as características físicas, biológicas, de caráter, psicológicas, etc., das três raças que dominavam o Brasil: branca, negra e silvícola.

Pelos estudos e avanços que promoveu, foi considerado, por muitos, o fundador da disciplina psiquiátrica e da psicanálise no Brasil. Foi o primeiro professor de universidade a indicar e incorporar a teoria psicanalítica no ensino da medicina em nosso país. Ele se formou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia em 1891, aos 18 anos. No mesmo ano defendeu tese sobre sífilis maligna precoce. Em 1891 ainda, época em que a escravidão acabara de ser abolida no Brasil (Lei Áurea de 1888), o novato médico questionava quantas eram as raças humanas existentes. Onde termina uma raça, onde começa a outra. As raças existentes no país já citamos aqui. Foi casado com a senhora Augusta Peick.

Era filho de Galdina Joaquina do Amaral e do português Manoel do Carmo Moreira Júnior, que o reconheceu mais tarde. O pai era funcionário público no setor de inspeção de iluminação. Sua mãe trabalhava na casa do médico e professor da faculdade de medicina: Luiz Adriano Alves de Lima Gordilho, o Barão de Itapuã. Juliano Moreira foi criado pela mãe, fez cursos preparatórios e entrou para a faculdade de medicina. Sua tese ganhou fama até fora do Brasil. Ela propunha novos entendimentos sobre a sífilis, doença que mais matava as pessoas na época.

Foi aluno de Raymundo Nina Rodrigues na faculdade, cursando a primeira turma de Medicina Legal. Depois, seria seu colega de docência em 1896. Raymundo, sendo influenciado pelo criminólogo italiano Cesare Lombroso, acreditava na existência de códigos penais diferenciados para as raças diferentes. Foi ele o precursor do chamado “racismo científico” aqui no nosso Brasil. O homem branco europeu, na segunda metade do século XIX até o começo do século XX, acreditava no racismo científico sobre as raças primitivas. Crença mascarada sob status de ciência, uma das teses era a degenerescência. Seria a degeneração humana, tese que foi estudada entre 1850 e 1950, sendo depois abandonada. É assunto para psicólogos e psiquiatras. Apenas cito por fazer parte da vida de Juliano Moreira.

Raymundo entendia que as raças negra, silvícola e branca, sendo cruzadas poderiam transmitir aos produtos dos cruzamentos caracteres patológicos diferenciais de valor (ipsis litteris). Ele achava que a inferioridade racial dos negros e silvícolas em relação aos brancos era algo indiscutível. “Racismo científico mesmo!” A mistura das raças, a miscigenação, em diferentes patamares da evolução teria como resultado pessoas degeneradas, desequilibradas, híbridas sob o aspecto físico, intelectual e nas manifestações de comportamento. Juliano Moreira não concordava que a mistura de raças fosse a causa de doenças mentais. Sua oposição a isso era minoritária. Muitos alienistas, assim chamados os médicos especializados em doenças mentais no século XIX, concordavam com Raymundo. Juliano Moreira não acreditava em doentes mentais por conta dos climas tropicais. Não questionou a teoria da degenerescência, mas, apenas os fatores que causavam as doenças mentais. Na luta contra a degeneração nervosa e mental, achava que deveriam combater as causas: alcoolismo, as verminoses, a sífilis, as condições de higiene, sanitárias e educacionais, que eram os adversários. Também a conscientização de trabalhar a higienização mental das populações. Preconceitos de cores, raças ou castas eram inaceitáveis. Vale pesquisar e conhecer melhor Juliano Moreira, mesmo não sendo do ramo. Há conflitos de datas exatas nas informações. Acreditar em quem?

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino comercial com reg. no MEC, formado no curso normal superior pela Unipac. E-mail: [email protected]