Colunas Dia a Dia

Formação, correção, marginal

22 de abril de 2020

Gosto muito de pensar sobre as palavras. Como elas são vivas! Como dão significados diversos para várias situações e em diferentes épocas.

Na cidade de São Paulo, temos a ‘Marginal’ do Tietê e a de Pinheiros, famosas em todo o Brasil. São avenidas que ‘margeiam’ os rios que lhes emprestam os nomes.

Também é muito utilizada a palavra ‘marginal’, referindo-se ao meliante, ao bandido, exatamente porque, por ser uma pessoa ‘fora-da-lei’, também fica à margem, fora da sociedade constituída.

Sem muito esforço, podemos observar que os pobres, os desempregados, os deficientes físicos e mentais e os “sem estudo”, também são ‘marginais’ porque, habitualmente são excluídos, colocados ‘à margem’ do convívio diário, dos relacionamentos, das oportunidades e da capacidade de consumo do mundo capitalista.

Constatamos que essa palavra pode também adquirir outros significados, como: A ‘margem’ da folha de papel; a ‘margem’ de um lago muito bonito… Ou ainda: “não havia margem para negociação”.

Que não pairem dúvidas quanto ao que é deveras importante em um assunto. Ao que é ‘central’, prioritário, em uma atividade. Ao que realmente interessa em qualquer situação. Ou, pelo contrário, ao que é ‘periférico’. Que isso fique claro, com relação ao que se pretende com determinadas ações e atitudes em nossa vida, de maneira especial, em nossa atividade, a Educação.

Falando em periférico, encontramos também a palavra ‘periferia’ que, por analogia, é algo que fica também ‘à margem’, na beirada. Que não é o centro de alguma cidade ou atividade.

Em Educação, também por analogia, e sem muito esforço de raciocínio, concluímos que cada escola deva ter bem definido aonde pretende chegar; qual é o centro de suas atividades pedagógicas. Quais são suas prioridades. O que está previsto em seu ‘projeto pedagógico’, que é estabelecido com bastante antecedência.

A lei que rege a Educação no Brasil, a LDB, estabelece que existam temas centrais, prioritários, pré-definidos e comuns a todas as escolas. Também prevê que haja temas ‘transversais’, que permeiem as atividades prioritárias. Que existam parâmetros (referências) curriculares, entendendo-se que ‘currículo’ é o que deve ‘nortear’, dar um rumo, estabelecer um ‘norte’ às disciplinas indispensáveis a serem trabalhadas dentro de uma escola.

Nossa meta, como educadores, é que nossos alunos tornem-se pessoas íntegras, capazes e responsáveis; obviamente, além das matérias curriculares, eles têm aulas de teatro, com apresentação de peças e de esquetes, música, dança, informática, apresentação de trabalhos desenvolvidos através de projetos nas diversas disciplinas, excursões, horas cívicas e torneios esportivos, na dosagem exata: uma educação para a vida.

O que não se pode conceber é que, em determinadas escolas, desvie-se o ‘foco’ de sua existência, que é a Educação, para atividades ‘periféricas’, ‘marginais’, com ênfase a projetos de atividade artística, ou outras quaisquer, que não sejam prioritárias na formação de todos os alunos.

Não se pode conceber que o espaço físico de uma escola seja priorizado para outros fins, indo além do que realmente interessa, dos seus reais objetivos, que é a formação, a EDUCAÇÃO.

Não se pode conceber que, na sala de aula, marginalizem-se determinados alunos, por não conseguirem acompanhar o ritmo dos demais, por serem diferentes, excluindo-os de muitas atividades.

Também, em casa, muitas famílias privilegiam coisas periféricas, marginais, esquecendo-se do centro das necessidades reais de formação e educação. Prioriza-se o ‘ter’ em relação ao ‘ser’, dando aos filhos muitos presentes, mordomias, não estabelecendo limites… Depois, procuram a escola, os psicólogos, o padre ou o pastor para perguntarem: Onde foi que erramos? O que devemos fazer?

É como afirma o antigo ditado: “É de pequenino que se torce o pepino”, é desde pequeno que se formam o caráter e a personalidade.