Dia a Dia

Evolução dos Costumes

POR SEBASTIÃO WENCESLAU BORGES

24 de fevereiro de 2021

Desde tempos idos mudanças e evoluções ocorrem sempre, e cada época tem seus costumes. Dia desses algumas lembranças vieram em minha memória: a infância e juventude que eu vi e vivi, a maior parte com um bom sabor daqueles bons tempos, sem a preocupação e sem a mania de a todo momento apertar um botão ou uma tecla (coisas trazidas pela tecnologia).

Havia tempo para tudo: Tempo de jogar bola de meia e bola de borracha, de colecionar figurinhas, de soltar raia (pipa) e colorir o céu de todas as cores. As ruas se tornavam das crianças, e eu era apaixonado por gibis e álbuns de figurinhas. Já tomei Emulsão de Scott, Biotônico Fontoura, óleo de rícino e usei emplasto poroso Sabiá. Joguei biloquê, rodei pião, andei de carrinho de sebo e rolimã, e fiz toca para o jogo de bolinha de gude. Brinquei de pique esconde e queimada e, nossa bebida quando tínhamos algum trocado era Capilé (groselha) Crush, Sodinha, e Caçulinha.

E o tempo estava a nossa disposição, e as horas eram esquecidas e seduzidas nas brincadeiras de nossa infância. Poucas ruas com calçamento, as casas com enormes quintais com muitas arvores frutíferas, não possuíam grades, permaneciam com portas abertas e nem interfone para saber “quem é, quem, o que quer,” carroças com buzinas vendendo miúdos de boi e porco, e pessoas indo de casa em casa vendendo carne em cestas. Ainda sem a chegada da televisão, pelo rádio ouvi o programa “Balança, mas não cai“, a novela “O Direito de Nascer” e pelas vozes de Heron Domingues e Ramos Calheira dando a notícia que o “Sputinik” estava em órbita da terra com a cadela Laika.

Aos domingos, pela Rádio Nacional havia transmissão dos auditórios os sucessos musicais dos cantores: Emilinha Borba com ”Quem Parte Leva Saudade” e “Com Jeito Vai”, Angela Maria com “Meu Primeiro amor” e “Ave Maria do Morro” e Cauby Peixoto com sua ”Conceição, eu me lembro muito bem.” Nesta época eu li e colecionei revistas Fotonovelas, Filmelândia, Revista do Rádio, e comprei os discos 78 rotações, compacto simples e duplo.

Terno se fazia em alfaiates, roupas de mulheres em costureiras, moças jovens a maioria usava saias rodadas chegando até a altura da canela com cintura fina bem marcada chamadas de Cintura de Pilão, e não se via moças com cabelos curtos!

Usei calça Boca de Sino, camisa Volta ao Mundo, colete, galocha e Brilhantina para deixar o cabelo com cara de arrumado, e as roupas eram marcadas pelo estilo de camisa branca e calça Jeans. As mulheres, sapatos estilo Chanel aberto atrás, só uma alcinha segurando o tornozelo, vestido com anágua engomada, cabelo Rabo de Cavalo ou preso no alto da cabeça com bobs.

A escrita se fazia pelas canetas Parker, e os textos eram batidos na máquina de escrever Remington. As casas eram enceradas com cera Parquetina. Padre só andava de batina preta, tesura no alto da cabeça, rezava missa de costas para os fiéis falando em Latim. As mulheres iam à igreja somente com os braços cobertos por mangas, comungavam de véu branco as virgens e de véu preto as casadas. Homens de paletó ou colarinho abotoado, e na quarta-feira de Cinzas, todo católico andava o dia todo com a uma cruz de cinzas na testa.

No cinema já chorei ao assistir os filmes: “Marcelino pão e vinho, e Imitacão da vida”, e curti na tela as belezas de Gina Lolobrígida, Sofia Loren e Marilyn Monroe. Tive em minha juventude identidade musical através dos Beatles, Rolling Stones, Elvis Presley e da Jovem Guarda. E nas tardes de domingo íamos à brincadeiras dançantes ao som das eletrolinhas portátil.

Dançava- se rock-and-roll ouvindo Celli Campello (Banho de Lua), a dança mais exibida nas brincadeiras era o Twist e falávamos muito em gíria. Nosso passatempo depois das brincadeiras era reunir os colegas e ir a uma sorveteria. Nos tempos atuais a moda é mais liberal para a maioria das pessoas, onde cada um se veste com o estilo que quer e gosta.

A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração” (Coelho Neto). Enfim, o tempo passou, nossa cidade cresceu, se modernizou, surgiram novos costumes, e junto a tudo isso foi – se também minha infância e juventude. É o tempo passando e a gente “Memoriando”!