Colunas Dia a Dia

Enfrentamentos Emocionais e Covid-19: Pergunte-se! (Parte 2)

23 de abril de 2020

Em continuidade a primeira edição “Saúde mental e Covid-19: o que questionar?; publicada em 02/04/2020, afirma-se: digamos que por coincidência, somos falíveis! Até que ponto nossa realidade pode ser reinventada? O que podemos fazer pelo preenchimento dos vazios? O que tem de você, da sua história de vida, em todas as sensações, que forçosamente se depara com a pandemia Covid-19? Existe um equilíbrio esperado? Os conflitos são apenas negativos? A quem seguir? De qual salvação tenho mais urgência? Do vírus que se propaga, ou de gritos internos que silenciava? São muitas as perguntas a serem feitas, inclusive se estamos dispostos a nos ouvir verdadeiramente. Para isto, silenciar a mente do bombardeio de opiniões a respeito de como lidar com as nossas crises, extremamente individuais, pode ser um meio de adiar a oportunidade de nos conhecermos melhor.

Ouve-se tanto como devemos agir neste momento pandêmico e talvez esqueçamos de descobrir como funcionamos, mediante experiências de: estresse, ansiedade, medo, ameaças, angústia, incertezas, tristezas, insatisfações, e outras questões emocionais, potencializadas pelo estímulo de um caos coletivo. Primeiramente, não negar que está sendo afetado por um monstro desconhecido, é um passo para a saúde mental, podendo assim, tomar as rédeas da sua condição. E em seguida, assumir o compromisso de descobrir quais são os próprios recursos de enfrentamento.

Afinal nos diferenciamos, e nos identificamos com rotinas, auto cuidado e prazeres diferentes, como também vivemos em estruturas econômicas bastante distintas para contarmos com aquilo que depende, de dinheiro e espaço. Seguir se perguntando: o que sinto, o que quero, o que posso? Questões que nos direcionam, a partir do possível, e não de uma mudança radical que desconsidere verdades que não devem ser negadas. Mudanças internas, acontecem no tempo de despertar de cada um, e as externas, de um complexo capitalista que já limitava, milhões, a acessos.
Contemos com o que somos e podemos descobrir sobre nós, para o fortalecimento emocional. Reivindiquemos para a sobrevivência do corpo, os direitos de cidadão contribuinte. Aceitemos o que nos é ofertado por solidariedade. E sigamos neste desafio de convívio com aqueles que estão agora mais perto e em menor número. Não dá para romantizar uma intensa proximidade, quando se estava tão distante por outros motivos, muitas vezes desconhecidos, não é? É certo que o diálogo seja um caminho para revisar as relações, os vínculos afetivos.

No entanto, não se tem uma receita nem promessa de que seja fácil conversar com autenticidade. Trata-se de uma decisão, experimentar escutar sem julgar, sem atacar, e sem se anular. Decide-se e depois enfrenta o olho no olho, com respeito e maturidade, sem ser primitivo. Do desconforto de estar tão perto, poderá surgir grandes avanços, como consequência/resultado que virá para a sua saúde mental e dos próximos.

RENATA FARCHE é Psicóloga e Educadora