Dia a Dia

Encontros

Por Décio Martins Cançado

8 de setembro de 2021

Vinícius de Morais, o poeta, legou-nos esta reflexão que serve de ‘gancho’ para nosso artigo de hoje: “A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida”. Anualmente, definimos com antecedência, o tema a ser trabalhado pelo Colégio Status-Poliedro durante o ano letivo, sempre com a preocupação de levar aos educadores e educandos uma mensagem edificante e formadora.

Relembrando as mais recentes, trabalhamos em nossa escola os ‘Valores’ a serem praticados em uma convivência saudável, necessários para uma boa formação, sendo um por bimestre, relacionando as atividades desenvolvidas no ambiente escolar, e em casa, com os quatro ‘pilares’ que sustentam todo relacionamento sadio, voltado ao ‘ser’ humano.

Assim, em todas as disciplinas, alunos e professores refletiram, no primeiro bimestre, sobre o tema ‘Respeito’; no segundo bimestre, foi desenvolvido o tema ‘Solidariedade’; no terceiro, a ‘Amizade’; e no quarto bimestre, ‘Honestidade’.

No ano seguinte, demos continuidade ao trabalho com os ‘valores’, enquanto desenvolvíamos o tema ‘Harmonia no Universo’, que havia sido proposto. Explicando detalhadamente a ideia, tínhamos: “O ideal de harmonia nasce não do desejo humano, mas de uma permanente vocação da humanidade. Viver em harmonia com o planeta, com outros povos e culturas é o que tem inspirado a mais alta arte, as melhores sociedades e as grandes conquistas da educação.

Do átomo ao espaço sideral, do muito pequeno ao infinitamente grande, uma mesma lei comanda os reinos mineral, vegetal e animal: a harmonia”.

Prosseguindo na mesma linha de pensamento, ou seja, oferecer subsídios a uma reflexão conjunta entre alunos, professores e família, de acordo com ampla campanha já apresentada pela mídia, foi desenvolvido o tema “ENSINAR É PROMOVER ENCONTROS”, os quais são tão necessários nos dias de hoje, quando quase ninguém tem tempo para conversar, ouvir, refletir, apreciar o pôr do sol… A vida só se expressa de forma profunda e significativa na constante relação do homem com seus semelhantes e com a natureza.

“Não há educação sem a potencialização da capacidade de se comover com o belo, com as artes, com o mistério do universo infinito, o canto dos pássaros, o brilho do olhar da criança que chora ou do velho que simplesmente olha. Educar é promover encontros. Do homem com a natureza, com ele mesmo, com a ciência, as artes e a filosofia. Do homem com o mistério.

Não é possível educação sem encontros, assim como, não são possíveis encontros sem compreensão, imaginação e inteligência.
Esses encontros produzem consciência, felicidade, educação. Devem ser encontros de respeito, amor, cumplicidade na diferença e individualidade de cada aluno e professor”. De cada filho com seus pais e irmãos. De cada pessoa com suas famílias.
O ser humano, desde sua existência na Terra, tem praticado, em seus relacionamentos com a natureza, com os animais e com seus semelhantes, uma ‘relação de domínio’, de controle e comando do próximo.

Em termos sociais, através da história, a vontade de poder concretizou-se como vontade obsessiva e desmesurada de concentrar poder, de enriquecer, conquistar novas terras e subjugar outros povos. Isso se traduziu em colonialismo, em imperialismo e na imposição da vontade dos poderosos sobre os mais fracos.

Através da educação, podemos reverter esse quadro, que gera conflitos, violência, desrespeito, egoísmo, intransigência. ‘Temos que encontrar o elo perdido. Urge refazer o caminho de volta, à casa paterna comum, às nossas origens, como ‘filhos pródigos’.
Abraçar os demais irmãos e irmãs, as plantas, os animais e todos os seres. Para regressar do exílio a que nos submetemos, como na parábola Bíblica, temos que alimentar saudades e cultivar sonhos”.

Só assim, promoveremos os ENCONTROS necessários.