Dia a Dia

Educação para a vida

Décio Martins Cançado

28 de dezembro de 2021

Sem dúvida, a participação da família, como um todo, mas dos pais especialmente e da escola que frequentam, através dos professores e demais educadores, é que vai conseguir dar uma verdadeira ‘educação para a vida’ às crianças e aos jovens. É através de bons exemplos, de leituras com conteúdo, relacionamentos equilibrados, desenvolvimento do diálogo e reflexão, aceitação das diferenças, do pleno conhecimento sobre a ética e a prática constante de valores é que se consegue desenvolver um bom caráter nos pequenos.

Quanto ao que se concebe como ‘vida’, esse conceito chega a ser muito diversificado e abrangente, quando se levam em consideração questões que dizem respeito à participação do indivíduo na sociedade em que vive e à sua formação moral e psicológica.

Para alguns, basta a vida ‘latente’, o pulsar e o reagir a estímulos para se concretizar a ideia. Para outros, a ação automatizada e o trabalho, simplesmente, já caracterizam e justificam uma vida. Para outros, entretanto, a vida em sua plenitude vai mais além. Ela requer, também, valores como a Solidariedade, a Justiça, a Compreensão, o Respeito, a Amizade, a Aceitação e a Honestidade. Requer interação e participação; tentativa e busca de mudanças de si, e do meio em que se vive.

‘Educação para a vida’ é em que acreditamos e o que praticamos. Não basta disseminar conhecimentos e habilidades se não forem acompanhados de iniciativa, de crença inabalável em princípios universais de boa convivência, de moral e amizade.
Vivemos cercados por uma grande variedade de pessoas, com diferentes pensamentos, sentimentos, desejos, anseios e esperanças. Por muitas vezes, esquecemo-nos de valorizar essas diferenças, que nos permitem um aprender novo, a cada momento, a cada encontro com o outro. É muito importante valorizá-las!

Para que possamos vencer novos desafios e obter respostas às questões que fazem parte do nosso cotidiano, propomos a reflexão sobre como trabalhar, incrementar e aproveitar o fator humano dentro da nossa instituição para melhorar o mundo em que vivemos.
Ficam clamando em nosso interior as perguntas: como conviver e valorizar as diferenças existentes entre nós? Como sonhar, acreditar e fazer acontecer?

É necessário um repensar urgente sobre a educação nos dias de hoje. Tanto em casa quanto na escola. Cabe à escola refletir sua prática pedagógica, assumindo o compromisso do aperfeiçoamento constante que levará ao crescimento de seus profissionais e alunos envolvidos no processo do aprender e ensinar. A escola e a família são organismos vivos, sujeitos a variações constantes, num processo dinâmico e incessante. Ação e reação, como na Física, são coisas corriqueiras e constantes.

Educação para a vida é educação para a cidadania, para os valores inalienáveis de uma convivência pacífica e respeitosa. O que fazemos e o que pensamos são conhecidos pela maneira como vivemos e como fomos formados, e é para isso que devemos educar nossos filhos e nossos alunos.

A leitura de um livro deverá ser prazerosa e não obrigatória. Uma ação correta deverá ser por convicção e nunca por medo ou obrigação. A ação honesta deverá ser por formação e nunca por vanglória ou para justificar uma posição social ou política.

Pais e professores, além de ensinarem a ler e a escrever, devem auxiliar a ouvir e a sentir. Depois disso, é chegada a hora do educando aprender a agir, a exteriorizar de uma maneira organizada e ética seus pensamentos e emoções, que já não serão conflituosos com o meio em que vivem, pois farão parte de sua própria maneira de ser, serão os frutos de seu poder de decisão, da vida, para a qual foi educado.