Dia a Dia

É preciso paixão

POR DÉCIO MARTINS CANÇADO

4 de Maio de 2021

Existem muitas situações que envolvem a vida de um educador e do educando, que se cruzam pela ligação que existe entre o ato de educar e o de aprender, pelo vínculo inquestionável que se forma entre as partes. Como educador, há mais de quarenta anos, posso afirmar, com toda serenidade e convicção, que sou uma pessoa privilegiada, por estar cercado de tantas pessoas maravilhosas, competentes, dedicadas e comprometidas com o ideal maior de educar crianças e jovens.

Frente a esta pandemia que assola o mundo, e num ambiente tão conturbado e violento, ainda cremos que há esperanças. Depende de nós; e em nosso trabalho, no dia a dia, sentimos o clima ideal para que mudanças continuem ocorrendo.

Em uma campanha dedicada aos professores pelo seu dia, tempos atrás, pela televisão, foram apresentadas várias situações em que eles davam seu testemunho a respeito da sua profissão, destacando ideias que traziam sentimentos de otimismo, compromisso e envolvimento nos relacionamentos dentro da escola. Em qualquer coisa que se pretenda fazer, mais ainda nos dias de hoje, é imprescindível e inquestionável a presença de sentimento, de alma, de paixão. Sem o ‘componente emocional’ não há como alguma coisa evoluir, destacar-se, crescer, ser bem feita.

Na referida campanha, em uma das vinhetas apresentadas, o educador dizia, referindo-se aos alunos: “Eu preciso chegar até eles” – ao que alguém respondia – “CONFIANÇA”. E continuando a mesma vinheta: “Todo aluno precisa de incentivo; incentivo ao saber. Eu quero ajudar o jovem a crescer”; vindo a resposta em seguida – “DESAFIO.” E o educador continuava: “Adoro isso”, seguido da resposta: “PAIXÃO”. Enquanto uma música de fundo era apresentada, o educador concluía com as seguintes expressões : “Não existe profissão igual neste mundo – Vamos em frente – vamos ajudar a construir este país.

Educar requer muita força interior, vontade, muita garra, pois não admite comodismo, paralisia, despreparo e descompromisso. Não é possível exercer a profissão de educador sem sair de si mesmo, sem desestabilizar-se, sem buscar o constante crescimento e a atualização permanente; sem rever posições e conceitos, sem colocar AMOR no que faz e, em especial, nas pessoas. É esse amor que vai induzir-nos a atitudes de respeito, compreensão, de perdão e acolhida.

Em épocas normais, quando for o caso de se ‘dar bomba’ a um aluno (retê-lo na série), é necessário que isso seja feito com qualidade, após haver-se tentado todas as alternativas possíveis, durante o ano todo, em todas as oportunidades de convívio, buscando o envolvimento do estudante, da família e de outros profissionais, para se ter uma ideia clara a respeito de seu desenvolvimento intelectual, emocional e psicológico. É bom não nos esquecermos de que cada aluno, cada pessoa, tem um ritmo de aprendizagem, de assimilação e também uma aptidão, que deve ser respeitada, analisada e compreendida.

Em outra vinheta da referida campanha, outra professora afirmava: “É um prazer único dividir o que a gente sabe – é o que nos move. Tem que vencer barreiras. A formação do aluno depende de constante renovação…” ao que alguém respondia: “DESAFIO”. E continuava: “Deixar abertas as portas para que o aluno possa criar e se desenvolver”… “PAIXÃO”, e finalizava: “Tenho orgulho do que eu faço”. Numa outra vinheta outro professor dizia, a respeito de sua profissão e de seus alunos: “É preciso sentir que somos uma família” – “CARINHO”. E continuava: “Participação positiva. Enche-me de orgulho…toda criança é capaz de aprender” – “COMPETÊNCIA”. E concluía: “Confiança… incentivo ao saber – CORAGEM… eu amo ser professor”.

Quem educa, com qualidade e compromisso, não deve se esquecer de que a educação de toda criança tem um início e um fim; enfim, uma ‘história’ própria de vida; E que ‘sedução’ significa desviar alguém do seu caminho, para seu próprio caminho. Quem educa, com qualidade e compromisso, sabe que se deve comemorar todo êxito obtido, em especial quando se faz isso com prazer, sabendo que a alma é cheia de possibilidades. Que apesar da gente estar ‘plantado’ na terra, a gente consegue ‘voar’, através dos sonhos, que não devem morrer.