Dia a Dia

É de rir ou de chorar?

POR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

24 de Maio de 2021

A língua portuguesa é cheia de complicações, não resta dúvida. Para os iluminados, aqueles que nasceram com um fortalecido dom para letras, principalmente para o idioma pátrio, ela não oferece obstáculos. Mesmo assim, existem divergências e pontos de vista diferentes até entre os grandes gramáticos ou versados no idioma.

O importante, para quem deseja e precisa se expressar corretamente, errando o mínimo possível, é tratar de se preocupar em falar ou escrever com clareza, objetividade e simplicidade. É deixar para os afeitos ao idioma a comunicação mais rebuscada, com palavreado mais erudito, mais culto. Os ouvintes ou leitores deles, provavelmente, serão de nível equivalente.

Para dar credibilidade ao título deste texto, minha esposa e eu, durante algum tempo, anotamos algumas frases, verdadeiras pérolas da comunicação no nosso idioma. Geralmente, estampadas em prédios públicos, rótulos de produtos, até em escolas, etc. Ela, professora de Língua Portuguesa e Inglesa. Estudou em colégio de freiras no passado, quando ainda se estudava a Língua Latina, a Língua Francesa e Inglesa, além de outras disciplinas mais. Também fui desse tempo, mas, esquecemos muita coisa no desenrolar da vida. Vejamos algumas das frases e fica a critério do leitor se deseja rir ou chorar. Nós preferimos rir, sem intenção de ofender ninguém, de forma bem discreta e longe de testemunhas.

Tampe o nariz e a boca ao espirrar com o cotovelo.” – Tampar a boca e o nariz com o cotovelo já não é tão fácil. Agora, espirrar com o cotovelo, eu tentei, mas, não consegui! Tal frase, vimos num setor de saúde, mas, não digo onde, para não constranger ninguém.

A bolsa da Maria de cor vermelha.” – Conheço a raça branca, a negra, a amarela e silvícolas. Pessoa da raça vermelha, ainda não conheço. Se alguém souber, estou disposto a aprender.

O bigode de João espetado para cima.” – É o João que está espetado para cima ou o bigode?

O cachorro do Ricardo que matou o gato.” – Quem matou o gato? Foi o cachorro ou o Ricardo?

Eu declamei um poema dele para o meu irmão errado.” – Eu declamei um poema errado para o meu irmão ou foi para o meu irmão errado?

Sandálias para mulheres abertas atrás.” – Esta é de doer, como diria um falecido amigo meu. Ofenderam, mas, sem querer ofender!

Sacos plásticos para lixo reforçado.” – Os sacos plásticos que são reforçados ou o lixo que precisa ser reforçado?

Tinta acrílica para madeira verde.” – A madeira que é verde ou é tinta verde para madeira?

Gel para massagem de vinho.” – Nunca soube que vinho pudesse ser massageado! Agora, se o gel que é de vinho, tudo bem!

Como foi para ela ter uma filha separada naquele momento?” – Não seria: “Como foi para ela, naquele momento, ter uma filha separada?”

Farinha de trigo Dona Benta branca.” – Eu já sei que a farinha de trigo é branca, mas, a Dona Benta também é branca? Procurei na internet e não vi estampadas nas embalagens a figura da Dona Benta. Então, continua a dúvida?!

Suporte para bolo de quatro pés.” – Frase na embalagem. O suporte de quatro pés existe, mas, bolo de quatro pés ainda não vi até hoje. Pode até ser, pois confeiteiros habilidosos são verdadeiros artistas e em matéria de arte, tudo pode acontecer.

Vinho tinto de mesa suave.” – O que é suave: o vinho ou a mesa?

Departamento de…Profº… – Esta, nós vimos numa famosa faculdade. Não direi onde e nem qual. Está sendo comum usarem apenas “prof.” para professoras, virou moda. Agora, “professoro”, foi a única vez que vimos e achamos graça.

Estas frases, algumas foram tiradas de um texto de jornal ou revista, com o título: “A escrita na vida cotidiana. Sua circulação e uso social.” Outras, foram colhidas, como já disse, em diversos ambientes. Enfim, nosso idioma pátrio precisa ser melhor cultivado, não apenas para demonstrar que somos um povo que preza sua língua, mas, para que possamos nos comunicar com maior qualidade e capacidade. Assim, evitaremos ruídos na comunicação, que possam trazer consequências desagradáveis. Errar, todos nós, simples mortais, erramos, o que importa é errar o menos possível.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO. professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino comercial com reg. no MEC, formado no Curso Normal Superior pela Unipac.