Dia a Dia

Dilemas e decisões

Décio Martins Cançado

22 de março de 2022

Entre os temas da atualidade, que dizem respeito a cada um de nós em nossos relacionamentos e em nossa maneira de agir, nas mais diversas situações, existe um bem interessante, que trata da Ética, e foi abordado em um artigo que teve como título: “O que isso tem a ver comigo?” Por julgá-lo muito interessante, gostaria de dividi-lo com meus leitores.

“Há momentos em nossas vidas em que não sabemos que decisão tomar. Ficamos em dúvida sobre como deveríamos agir. Nesses momentos nos colocamos perguntas como: Devo mentir se eu puder levar vantagem com isso? Vale a pena dizer a verdade em todas as situações? Devo dizer o que penso, mesmo com o risco de errar? É melhor parecer honesto, ou ser realmente honesto, mesmo que ninguém perceba? É justo que eu faça sempre tudo o que desejo? Mas, tudo aquilo que eu desejo ou tudo aquilo que me dá prazer me faz bem? E o que me faz bem, necessariamente, deve me dar prazer? É suficiente que aquilo que eu faço seja bom para mim, ou deveria ser bom para os outros também? O que eu pretendo para o meu futuro? Devo ter algum compromisso com o futuro do mundo, ou da minha cidade, ou da minha família? É realmente necessário me importar com o que os outros pensam? Devo sempre guardar um segredo de alguém que confiou contá-lo a mim?

Para cada uma dessas questões, dentre tantos outros dilemas com os quais nos deparamos no decorrer da vida, é preciso escolher um caminho a seguir. É preciso pensar e tomar decisões. Mas, isso tem suas consequências, e influi no rumo de nossas vidas, ou no modo como iremos vivê-la. Por isso, as escolhas que fazemos são decisivas.

É preciso escolher e decidir. Se não quisermos fazer isso, então é muito provável que alguém o faça por nós. E se decidirmos não decidir nada… Isso também não deixará de ser uma decisão.

Para viver bem, é preciso escolher entre alternativas possíveis a cada momento e em cada circunstância, mas de modo sensato. Avaliar cada situação, ponderar os resultados, decidir o que nos convém, o que julgamos certo ou errado. Para tanto, necessitamos de alguns critérios, de algumas ideias de base que nos ajudem a pensar. Esses são os nossos ‘valores’. É a formação que recebemos em casa, na escola e no ambiente em que fomos criados.
Para escolher e decidir de modo justo, construir para nós mesmos o sentido das nossas vidas, precisamos aprender a pensar, e a pensar sobre como pensamos.

A tão discutida, controvertida e, muitas vezes, mal compreendida “ética” nada mais é do que o ato de “pensar”, nas mais diversas situações da vida em que é preciso considerar as consequências das nossas escolhas e decisões, assim como os valores ou princípios que nos orientam. Por isso ela é tão decisiva quanto à direção ou ao sentido que damos à nossa existência.

A ética, desde os gregos antigos, consistia em dar beleza à existência humana, através de hábitos e costumes que pudessem definir a nossa personalidade e nos tornar ainda mais humanos”.

Não são decisões fáceis, se formos levar em conta o mundo de hoje, tão corrompido e baseado nos princípios de que se deve sempre ‘levar vantagem’ em tudo, doa a quem doer, especialmente no que se refere à grande parte dos nossos políticos, que deveriam ser referências para todos nós, pois foram eleitos para nos representar e para tomar decisões administrativas em nosso nome, que tivessem como prioridade o bem comum. Mas, é como nos ensina o ditado: ‘Não é porque eu caminho entre as cobras, que preciso também rastejar.’ Cabe a cada um de nós fazer a sua parte, sempre com a cabeça erguida e a alma limpa, sem se importar se, às vezes, será tachado de bobo, inocente ou idiota.

“Quando falamos de ética, não podemos dissociá-la da liberdade. Quando pensamos em liberdade, parece que pensamos na possibilidade de fazer tudo aquilo que desejamos ou imaginamos. Chegamos a pensar que se não podemos realizar algo, não somos livres, mas sabemos que não é bem assim. A cada momento de nossas vidas, há sempre algumas escolhas que podemos e devemos fazer. Ou, ainda, a possibilidade de dizer não a algumas situações. Assim, ética e liberdade se encontram quando, ao nos sabermos sujeitos das escolhas e ações que podemos realizar, deveremos nos responsabilizar por elas.

Você já deve ter percebido que certas pessoas só obedecem às regras, às leis, ou buscam ser justas, ou se portam de modo decente apenas porque são vigiadas, controladas, ou porque têm medo de receber algum castigo. Será possível que alguém busque a justiça apenas por vontade própria?”
Enfim, para que tenhamos um mundo melhor, vamos dar início, imediatamente, àquela revolução silenciosa que começa por nós mesmos, depois em casa, com os filhos e o cônjuge, no ambiente onde trabalhamos, no supermercado, no restaurante…. Fácil não é, mas não podemos esmorecer.