Dia a Dia

Dias Melhores

PATRÍCIA LOPES PEREIRA SANTOS

26 de agosto de 2021

Eu não sou uma alienada. Ninguém disse que sou, mas quero justificar os meus textos tratarem das miudezas do cotidiano enquanto vivemos tempos tão difíceis.

Sei que o mundo está vivendo uma crise humanitária gigantesca com a ocupação do Afeganistão pelo Talibã, o nosso senso de humanidade foi machucado com as cenas de horror que vimos, recentemente, nos noticiários. O que assistimos não foi normal, não é normal e nunca será normal para quem enxerga o outro como uma extensão de si mesmo.

Aqui está uma mulher livre expressando as suas ideias por meio da escrita; e neste momento, no Afeganistão, existem mulheres que sofrem abusos e sequer podem ir ao mercado sem a presença de um parente do gênero masculino.

Também sei o que está acontecendo no Haiti, um país já devastado pela pobreza, agora sofre as consequências de um terremoto. Quando pensamos que a situação não poderia piorar, o avião brasileiro levando ajuda para as vítimas sofre pane no Pará.

As tragédias nos fazem refletir sobre questões espirituais importantes como a soberania de Deus neste mundo caído. Não sou atrevida(e nem tenho conhecimento) para discorrer sobre a bondade e o poder de Deus frente à dor do ser humano, mas como Cristã acho lindas as palavras de C.S.Lewis quando escreve:“o sofrimento é o megafone de Deus num mundo ensurdecido”.

Desculpem-me a “novidade”, mas também sei que estamos no meio de uma pandemia. O coronavírus mata. Descobri não por meio do noticiário x ou y, negacionista ou alarmista, opinativo ou informativo, conivente com a esquerda ou com a direita. Descobri porque a doença já levou conhecidos jovens e queridos para mim.

E, ainda assim, o que vemos na CPI da Covid é um misto de tragédia e comédia. Não consigo entender a lentidão do Governo para adquirir vacinas(meio cientificamente comprovado para controlar a doença) e quando o fez, não teve o cuidado necessário para evitar possíveis fraudes na sua aquisição.

Já a comédia fica por conta do imprevisível Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito(Senador Omar Aziz) e suas metáforas. Às vezes, penso que só falta ele enfeitar com orégano a pizza e nos servir.

Estou enfarada pois vivi na adolescência o processo de redemocratização do Brasil. Levo muito a sério o meu direito de voto. Sempre me emociono ao votar, e tenho certeza de que a eleição geral de 2022 será mais importante para mim do que foi a de 1988.

Sei ainda que em Brasília instalou-se uma grave crise institucional, o Poder Executivo e o Judiciário se digladiam, enquanto o Poder Legislativo busca mais cargos, mais influência, mais dinheiro para continuar desfrutando do poder. E dane-se a democracia e o bem comum. Não queria terminar meu texto aqui, gostaria de ser fiel a minha verdade como cronista e escrever apenas sobre dores de barriga de bebês e medo de cachorro. Mas, acho que devia uma satisfação para o leitor, perdoem-me por essa alienação proposital.

O que desejo para Passos e região, para o Brasil e para o mundo encontra-se na música otimista do J. Quest: “Vivemos esperando dias melhores, dias de paz, dias a mais…dias melhores pra sempre”

PATRÍCIA LOPES PEREIRA SANTOS, graduada em odontologia (PUCMG) e direito (Fadipa), mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional (Unifacef- Franca) e Especialista em Direito Público (Faculdade Newton de Paiva), é servidora pública do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. E-mail: [email protected] gmail.com