Dia a Dia

Dia a Dia: Requisitos para ser um bom professor – parte 3

6 de abril de 2020

Sigamos como mais alguns requisitos.

Sensibilidade para aguentar colegas. Acontecem comentários velados, às escondidas, porque um professor é eficiente e conceituado, o que gera admiração de outros, mas, também gera inveja e não no bom sentido da palavra. Podem surgir comentários pelo fato de um professor não ser muito competente, ser relapso, inconveniente no seu “apostolado” de magistério, faltando-lhe uma boa dedicação. Há também o caso de um professor, mesmo não tão competente, mas, bem vocacionado para a bajulação e se dar bem no ambiente de trabalho por encontrar pessoas na direção que gostam de ter o seu ego massageado. Mas, nem sempre é assim, há aqueles que percebem a bajulação e não a aceitam, tentam anular ou desestimular o bajulador. Bem, como sempre se diz: cada caso é um caso. Apesar de tudo aqui especulado, o importante é a conscientização de saber que as pessoas são diferentes umas das outras. É preciso que haja harmonização no ambiente de trabalho e as diferenças sejam acomodadas de forma a não criar dificuldades para a nobre arte de ensinar. Ninguém manda no coração ou na mente de ninguém, mas, é preciso que as pessoas criem e mantenham um ambiente agradável de trabalho, com muita compreensão e em nome do bom ensino para os estudantes. Que pensem no bem comum!

Pernas de maratonista. Pelo tanto que um professor fica em pé numa sala de aula, por várias horas, pelo que anda dentro da sala e da escola, o tanto de vezes que precisa ir andando para a escola, por falta de uma condução ou pela dificuldade de estacionar um veículo, o negócio é utilizar mesmo de seu melhor condutor: as pernas. E haja pernas! No final da noite, elas estão bambeando, cansadas, sem motivação alguma para sequer andar dentro de casa. Mas, principalmente as professoras, ainda têm muito trabalho dentro de casa. As que têm marido em casa e ele ajuda, têm um pouquinho mais de sorte. Há as que não têm o marido em casa, ele está fora, trabalhando, e precisam cuidar dos pais idosos e dos filhos ou mesmo de outras pessoas dependentes. Há também as que não têm marido, são solteiras ou viúvas, mas, têm dependentes, os pais, tios, filhos. Mas, a luta continua e esmorecer é impossível. Daí, descanso mesmo, só quando repousar na própria cama. Às vezes, tarde da noite e já pensando no acordar bem cedo no outro dia. Que vida estafante, hein!

Bexiga com capacidade para armazenar cerca de cinco litros. Pela correria de todos os dias, durante quase vinte horas, às vezes, descarregar o liquido que aguarda para ser expelido, nem sempre pode acontecer na hora que precisa realmente. Já ouvi falar que, as mulheres, principalmente, têm mais problemas urinários, de infecção, pelo fato de não poderem esvaziar a bexiga de qualquer forma, em qualquer lugar. Os homens têm mais facilidade para isso e há aqueles que quando se apertam pouco se importam de como fazê-lo e se aliviam em qualquer lugar. Apesar de que, hoje, a fiscalização e o policiamento estarem de olhos abertos, ainda acontece. Mas, a fiscalização é mais no centro das cidades. Em bairros e periferias, nas estradas, certos homens pouco respeitam. Em certas ocasiões, não há como deixar de apelar, a necessidade é drástica. Já, para as mulheres, a dificuldade é muito maior. É uma situação que precisa ser controlada, para não acontecer nenhum vexame. Há casos de medicamentos que provocam a necessidade urinária por mais vezes que o normal. Aí, é preciso organizar o organismo de forma racional. Não é fácil, mas, vale tentar.

Multicanais auditivos. Outro requisito para um bom professor. Já vimos que os ouvidos podem funcionar até como olhos, quando dissemos que o professor precisa ter olhos por todos os lados da cabeça. Pois bem! Além disso, seus ouvidos também precisam “realmente ouvir”. Numa sala de aula, com quarenta ou cinquenta alunos, por mais silêncio que se peça, sempre haverá ruídos, risos, cochichos, piadinhas. O professor deve ter, de preferência, uma audição privilegiada, para conter os abusos. Fica difícil, como já presenciei, para um professor idoso e com sérios problemas auditivos, controlar uma classe. Se forem alunos educados, tubo bem! Mas, sempre há uma meia dúzia que teima em destoar dos outros e se aproveitar das dificuldades auditivas do professor, que já está em final de carreira. Uma pena, pois é um problema de educação, de respeito, por parte de tais alunos. – Continuaremos.

 

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG – ex-professor do ensino técnico comercial – formado no Curso Normal Superior pela Unipac.