Dia a Dia

Dia a Dia: Requisitos para ser um bom professor – Parte 2

30 de março de 2020

“Ter um coração bondoso significa amar seus alunos, a escola e dedicar-se com fé, dedicação e coragem ao seu ofício.” – Por mais que se revise, ainda acontece algum engano. A palavra ‘dedicação’ aí foi pura repetição. O correto è: ‘…dedicar-se com fé e coragem…’ O cochilo aconteceu no texto anterior, a parte 1 sobre nosso assunto.”
Sigamos com mais requisitos para se um bom professor.
Ter um filtro purificador nasal. Significa imensa capacidade de observar até pelo cheiro, seja um aroma agradável ou não. Afinal, estudantes também têm seus problemas digestivos, não são apenas os adultos ou idosos! Se, eventualmente, um estudante estiver portando alguma droga em sua mochila ou no bolso da roupa e um professor sentir o cheiro, o que acho muito difícil, o mestre estará apto a trabalhar juntamente com cães farejadores da polícia. Suposições à parte (também já é querer demais), o professor aprimora durante sua carreira os cinco sentidos e no caso das professoras, até o famoso sexto sentido das mulheres melhora bastante.
Ter oito braços como o polvo. O mestre carrega pasta, caixa de giz ou caneta especial para quadros mais modernos, escreve no quadro, ajuda aluno a escrever no caderno, gesticula nas explanações, corrige pilhas de cadernos ou provas, enfim, usa tanto os braços que só dois não são suficientes. Sem falar no que faz quando não está lecionando! Na verdade, usar os braços e mãos como usa um professor e ainda as pernas, andando de lá para cá, já é fazer bons exercícios físicos. O problema maior é quando quase se descontrola com alunos malcriados e agressivos. Daí, dá uma vontade de descer o braço no sujeito. Mas, o bom senso segura o braço do professor e ele ouve uma vozinha no seu ouvido pedindo calma, muita calma!
Mil e uma utilidades na escola. É o chamado professor “Bombril”. A direção e a coordenação da escola sabem que ele é atencioso, prestativo e amam esse “felizardo”. Estão sempre pedindo a colaboração para organizar eventos, festas, palestras, reuniões, conferências, etc. Como bom professor, que gosta da escola e dos alunos, ele nunca diz não. Se tiver algum compromisso, ele muda se for possível. Às vezes, até abusam de sua boa vontade e presteza, mas, fazer o quê! Sendo ele um professor com várias habilidades profissionais, artísticas e criativas, o jeito é tirar proveito dele, tudo em nome da vocação, do aprendizado. Seria ele um “felizardo” mesmo?
Tolerância máxima. Quem é nervoso, pavio curto, como dizem, precisará de muito preparo psicológico para ser professor. Principalmente nos dias de hoje, em que o professor em várias situações é desrespeitado por maus alunos. Trata-se de uma profissão que exige muita coragem, cautela, segurança, calma, tranquilidade e tolerância, pois, estará por vezes batendo de frente com a incompreensão, o atrevimento e o descaso de muitos pela frente. Não significa que o professor precise ter aquilo que chamam de “sangue de barata”. Aliás, explicam que a barata não tem sangue, mas sim, um fluido chamado hemolinfa, espécie de uma gosma, transparente. O professor, como qualquer um, tem o seu caráter, a sua personalidade. Precisa achar o meio termo para exercer a profissão com dignidade. Para ser tolerante é preciso mesmo muita paciência também!
Sensibilidade para aguentar colegas. O adversário (ou inimigo?), pode estar ao seu lado. Como em qualquer ambiente de trabalho, há as amizades e as inimizades também podem surgir. Há o coleguismo e a falta de coleguismo. Há as simpatias e as antipatias. Às vezes, tudo ocorre sem motivação alguma, sem origem alguma, simplesmente acontece. Alguém não gosta de você ou você não gosta de alguém e sem saber o motivo, afinal, foram se conhecer ali no ambiente de trabalho, jamais se tinham visto antes ou muito poucas vezes, sem saber quem é quem! A psicologia explicaria que possa ser um problema de química orgânica, fluidos antagônicos? Sei lá! Em ambientes de trabalho, por melhor que seja a direção e a política de relacionamento entre as pessoas, sempre houve e sempre haverá pequenos problemas de relacionamentos e talvez até problemas mais graves. – Concluiremos este tópico na próxima publicação, quando continuaremos com o assunto.

PROFESSOR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, formado pela Unipac no curso normal superior, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG. E-mail: [email protected]