Dia a Dia

Dia a Dia: Pedofilia também é uma questão de saúde pública!

26 de março de 2020

A pedofilia é um assunto que gera complicações acerca de seu entendimento, seja por questões educacionais e sociais, por exemplo, no ocidente consideramos o casamento, relações de união estável, atividade sexual e gravidez entre parceiros com maior diferença de idade como algo estritamente incorreto. No entanto, entre outras culturas, práticas como estas são permitidas e amparadas pelas leis estatais embora impliquem em problemáticas inegáveis. Por outro lado, tocar no assunto é algo que gera no receptor tamanha recusa, pois quando estamos vendo, lendo, falando ou estudando a temática, imediatamente, surge a repulsa criminal que objetiva tratar a doença como um desvio de questão criminal e não como questão de saúde pública.
É importante entender que a pedofilia é uma parafilia, um transtorno de desvio sexual, onde o indivíduo sente-se atraído, tem fantasias, comportamentos ou impulsos fortes direcionados a uma fase específica, como a pré-puberdade, ou a jovens, geralmente, entre os 13 anos ou menos. Pacientes que apresentam tal inclinação, em sua maioria, são homens, que supostamente sofreram abusos sexuais quando menores, o que implica que a identificação de um paciente potencial se trata de uma questão de saúde pública, assim como também apresenta uma crise ética para os profissionais de saúde.
Seja qual for o crime, ele continuará existindo por ser um efeito e não a causa, esta última deve ser tratada e premeditada, primordialmente, não o contrário. Daí a importância em alertar tanto a comunidade, tanto o indivíduo que se enquadra nos parâmetros da doença sobre as possibilidades frente a causa. Caracteriza-se como um transtorno pois o pedófilo que apresenta desvios sexuais não tem controle sobre sua inclinação e em casos graves, pode prejudicar os alvos de suas exaltações. Isto, não implica na abolição de punição para crimes cometidos, no entanto, é importante lembrar que para o bom convívio social, reintegração e dignidade do paciente, possamos buscar e definir meios de controlar as manifestações problemáticas de sua inclinação sexual. Pois, enquanto as inclinações não forem manifestadas, ainda não se falará sobre crime.
O paciente com o transtorno, nem sempre, sente-se confortável com sua motivação sexual, o que acaba prejudicando as relações do mesmo, tornando-o ansioso, isolado, depressivo porque não desejam manifestar tais pensamentos e ações prejudiciais ao desenvolvimento alheio. A maioria dos casos de abuso sexual contra menores, apontam nos abusadores fatores situacionais relacionados a abusos que os mesmos sofreram quando jovens, conflitos conjugais presenciados, disfunção familiar e desenvolvimento do uso excessivo de substâncias.
Para todos os casos, a ética ampara que o paciente seja avaliado e possa identificar a doença previamente, com intuito de controlar impulsos indesejados, implicando constância de consultas psicoterápicas e em alguns casos, complementando com a utilização de remédios de controle hormonal. Os pedófilos costumam apresentar junto a doença outros transtornos, como por exemplo, de personalidade antissocial, de estresse pós-traumático, transtorno de déficit de atenção (com ou sem hiperatividade), entre outros, implicando na importância do tratamento e do acompanhamento psicológico.
A hipnoterapia é uma prática que tem demonstrado eficiência no tratamento de inúmeras disfunções, transtornos e doenças. Identificando fundos emocionais prejudiciais, doenças mentais que instalam motivações negativas na mente humana. O hipnoterapeuta, através da entrevista(anamnese) com o paciente e da técnica da hipnose, identifica fundos emocionais visando destacá-los e desta forma, redirecionar pensamentos e afirmações negativas do paciente, sobre si e sobre o mundo que o cerca. Substituindo motivações problemáticas por decisões conscientes e positivas feitas pelo próprio paciente, amparado pela atenção e cuidados do hipnoterapeuta.
A perspectiva judicial, embora caminhe em colaboração com a perspectiva psicoterápica estendem suas ações de formas distintas. Os pedófilos não são a personificação do mal, mas são indivíduos que assim como todos os outros são acometidos com traumas, doenças, angústias e também merecem receber apoio para tratar suas causas e limitar os efeitos que são negativos tanto para si, quanto para as pessoas que os envolvem. São indivíduos que carregam uma bagagem emocional complicada, podendo ser vítimas de ações semelhantes envolvendo abuso e violência do menor.
Procure um profissional para retirar suas dúvidas. Esteja ciente de que para ser ajudado, não é preciso esperar e muito menos ter vergonha.

ORONILCE DONIZETE FIGUEIREDO JÚNIOR é psicólogo e hipnoterapeuta.