Dia a Dia

Dia a Dia: Me adiscurpe a burrice

4 de abril de 2020

Me “adiscurpe” a burrice mas num custa nada perguntar:

Por causa de quê não se faz eleição todo ano ao invés de fazê-la de dois em dois anos? Já pensou? Numa vota prá prefeito… no ano seguinte deputado estadual e vereador… no outro prá presidente… no quarto, deputado federal e senador. E nos intervalinhos do primeiro semestre traz as urnas a molde escolher juiz, delegado, ministro, secretário, diretor de colégio, de faculdade e de bateria de escola de samba, dono de sindicato, chefe da luz e da água.

 

Sério, meu! Ia movimentar a cidade, promover comício, barulho, cartazes, muros pintados, carro de som zoando na rua, santinho s, torcida, dar chance a brilhantes colunistas de se exercitarem semanalmente na espada.

 

E o melhor de tudo: a carruagem andando, atiçam-se as vaidades dos donos dos cofres, corre-se atrás de interesses pessoais, corporativos (ambos pecuniários) ou simplesmente do mando pelo mando e os cobres rolam soltos, desencastoados a pagar uma montoeira de colaboradores, de cabos eleitorais, moçoilas animazetes, anúncios etc. Pode até haver quem discorde das fórmulas utilizadas pelos nossos políticos, partidos, simpatizantes e afins, porém duvidêódó que alguém consiga um jeito melhor de fomentar uma distribuição de renda mais rápida e eficaz do que esta. E garantido, em cajadada única, um volume de emprêgos permanentes (não mais a insegurança dos sazonais) com a criação do inaudito “Distrito Ileitoral” (DI 3) sem precisar doar terrenos a empresas oportunistas nem riscos de poluição, exceto visual e auditiva. Aumentaria sobremaneira a arrecadação de ISS (imposto sobre “sirviço”) tantas seriam as novas profissões da área, mais um imposto sobre produção de ideias, outro sobre circulação de cestas básicas e ajudas de custo, uma contribuição compulsória de limpeza aos usuários de panfletagem, o seguro obrigatório (eliminando o risco do calote de candidatos derrotados) e finalmente a taxa de expediente para viabilizar esta baboseira toda. E, claro, INPS, fundo de garantia, décimo terceiro, férias proporcionais…

Me “adiscurpe” a burrice mas num custa nada perguntar:

Por causa de quê é só esquentar o tempo e excita- se a libido coletiva? A mulherada tira, peremptoriamente, quase toda a roupa e a macharia, assanhada, mete os olhos. Aliás, homem é bobo demais: prá seduzi-lo bastam umas pernocas de fora, a barriguinha baixa mostrada a um côvado (pô! côvado? Quem ultra- -passado? Eu? A nona!!!) da linha do pescoço, a camiseta translúcida e agarradinha. Se prostra inteiramente dominado. É um jogo interessante, atávico, ancestro-cavernal: lá vem ela, pimpona e coquete (vixe!), em passo de desfile, com a mini tão curta que dá pra ver o santinho da corrente no pescoço, se equilibrando no segundo andar da sandália. Se a macharia assobia, graceja ou simplesmente encara, a bronca é certa (“tarado!”,”nunca viu?”) ou assume aquele ar sério de quem não gostou.

Agora, se ninguém repara acintosamente, se se respeita naturalmente o gosto dela no subtrajar, nenhuma graçola ou fiufiu, é o desastre com perda total, a frustração plena. E aqueles vestidinhos apertadinhos que tem o hábito de ir arribando de acordo com a movimentação da chiquitita? Passou em branco, continua subindo. Subindo. Basta o fulano lamber com a testa, as mãozinhas ligeiras puxam as pontinhas ameaçando os joelhos! Ei! Isso tá parecendo matéria da Torpelândia, num tá, Cossinho? Alá, hein! Você fica açulando a turma no Chuck, vai acabar ficando sem, cara! Olha que crise de abstinência é super-dolorosa! E na bunadanumvaidinha? . Fala “tiau Ripilica”. Tiau Ripilica. Sábado que vem nóis proseia mais.

 

Adelmo Soares Leonel