Dia a Dia

Como seremos melhores

POR DÉCIO MARTINS CANÇADO

9 de março de 2021

Sem dúvida, o sentimento da ‘fraternidade’ é o que tem o maior poder de unir as pessoas, independente de lugar, raça ou povo. Devemos reconhecer que ela é o sentimento comum que une as pessoas, através das cidades, dos países e continentes, que une criaturas de idiomas, raças e hábitos diferentes, igualando-nos pelos traços idênticos de sua fisionomia moral.

Nada mais gratificante, sublime e dignificante, que fazer o bem ao próximo, seja ele quem for. Em Atos dos Apóstolos 20,35, encontramos: “Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber”. Você já ouviu algumas pessoas dizerem que foram mais abençoadas dando algo do que quem recebeu esse algo?
Essa ideia de o doador ser mais abençoado vai contra a lógica do mundo, em especial, do mundo materialista e imediatista. Então, o que é esta ideia de “É melhor dar do que receber”?

Paulo está citando Jesus, que não estava falando sobre coisas materiais, mas bênçãos espirituais. Quando damos com um coração puro, nós sabemos que Deus se agrada; e saber que Ele se agrada com nosso comportamento é melhor do que qualquer quantia de dinheiro. Paulo elevou esse conceito a um novo nível. Ele não apenas deu o que tinha, mas fez questão de trabalhar mais para poder dar ainda mais. Para ele, não era uma questão de ter bens materiais. Ele trabalhou para poder dar mais para os outros, e assim, experimentar a graça e o favor de Deus.

Esse lema é como um farol a iluminar os caminhos daqueles que têm boa vontade, dando-lhes coragem para prosseguir, indicando-lhes que a estrada não é tão árida e perigosa, e a caminhada da vida torna-se mais suave quando temos a oportunidade de servir ao próximo. Somos filhos de uma geração que assistiu e participou das duas maiores explosões de ódio das nações e contemplou estarrecida a destruição em massa dos seus semelhantes.

Acompanhamos, nestes dias conturbados, a aridez que se estende frente à humanidade, conquistando dolorosamente uma paz que não é mantida senão pela ameaça dos engenhos mais aperfeiçoados, prenunciadores de guerra. Neste deserto, as pessoas de boa vontade colaboram e procuram construir, no florescimento de uma era melhor, o oásis da compreensão, trabalhando ativamente para que a voz do Divino Mestre seja ouvida, na beleza simples e imortal do Sermão da Montanha – “Amai-vos uns aos outros”.

Estamos numa encruzilhada e a nossa responsabilidade avulta entre os caminhos que se abrem para o homem moderno. São enganosos, falazes e podem levar esta civilização, tão ciosa de suas conquistas, ao caos e à ruína.
Convictos e orgulhosos de suas conquistas… Criando para o seu conforto os escravos técnicos que os servem a cada dia: a luz, o automóvel, o computador, o avião, o celular e milhares de outros, que pela influência exercida na vida moderna amoldaram o homem à sua linguagem fria e implacável, transformando-o, diluindo-o no anonimato dos exércitos, das massas, das estatísticas, esquecendo que, criatura de Deus, ele é antes de tudo uma unidade espiritual.

Impõe-se a este ‘homem-cérebro’ do século XXI, maior que o seu senhor, capaz de, num instante, destruir uma cidade e transformar em ruínas toda a civilização, a necessidade de fazer pulsar mais afetivamente o coração e ajudá-lo a compreender que a única força capaz de dominar a gigante energia atômica, colocando-a a serviço do bem, é aquela que brota dessa energia interior, divina e humana, que nos faz estender a mão ao nosso semelhante e chamá-lo de irmão: ‘Fraternidade’.

Esse é o sentimento que, à semelhança dos antigos cruzados que possuíam seu próprio estandarte, faz com que sempre mais pessoas venham formar, uns ao lado dos outros, um exército do bem, como um porta-bandeiras do seu próprio ideal, no desejo firme e sincero de cooperar na luta pelo bem comum. Não podemos ser indiferentes nem apáticos. Não há, em determinadas situações da vida, interesse em idealistas contemplativos. Não basta contemplar a luz; é preciso colher a luz para iluminar aqueles que vivem na penumbra.

As pessoas devem distinguir-se na sociedade, não pela vaidade de enaltecer o seu próprio trabalho, mas sim, pela sinceridade de servir a um objetivo de paz e harmonia. Devem trazer em si o espírito da iniciativa, visando ao bem comum; e a sua presença, pelo entusiasmo, deve despertar, no meio onde vivem e trabalham, o interesse sadio pelas boas causas.