Dia a Dia

Como será o amanhã?

5 de Maio de 2020

Um fato que sempre intrigou as pessoas, em especial, os estudiosos, foi a origem da Terra, dos seres vivos, e quais seriam as transformações ocorridas através dos milênios. Muitos filmes, pesquisas e estudos antropológicos têm sido feitos para tentar demonstrar como teria sido a vida na terra há milhões de anos, a evolução dos seres humanos, e como alguns teriam sobrevivido, enquanto outros sucumbiram frente às dificuldades e ao desafios que enfrentaram, diante de tantas intempéries.

Passei, então, a indagar-me sobre a ‘continuidade’ dessa evolução nos próximos séculos. Se fizermos, no futuro, por exemplo, uma análise do período compreendido entre 1900 e 2100, portanto, durante 200 anos, poderemos constatar quais seriam as transformações mais evidentes ocorridas na raça humana e se elas seriam perceptíveis e evidentes, já que, cada vez mais, dispomos de tecnologia científica e de coleta de dados, através de textos, literatura, fotos e filmagens.

Acredito que as mudanças mais evidentes acontecerão no campo psicológico e comportamental, que, por sua vez, acarretarão mudanças físicas nos seres humanos. De acordo com estudos recentes, a ‘genética’ não é um fator isolado do nosso corpo, pois acaba sofrendo influências externas, tanto químicas e radioativas, quanto culturais e emocionais.

Em um episódio da televisão, intitulado de ‘No tempo das cavernas’, pudemos ver “animais reunidos em nome de algo surpreendente: laços de família e amizade. A solidariedade e o espírito de cooperação se transformaram nos elementos que uniram aquele grupo. Foi o início de um novo tipo de relacionamento: ‘homem e mulher formaram casais e passaram a viver juntos’, em uma relação monogâmica.” Este relato nos mostrava o que estaria acontecendo, em termos de evolução, com nossos ancestrais, há milhões de anos.

Famílias, antes numerosas, com laços de relacionamento muito fortes, patriarcal, com uma interdependência hoje pouco comum, era o modelo que os mais velhos cresceram vivenciando e que atualmente já não existe mais.

Do outro lado do noticiário nacional, vimos, com estardalhaço, que a ‘Parada Gay’ em São Paulo foi a maior do mundo, pela segunda vez. Sabemos que a tecnologia, a internet, os relacionamentos virtuais têm crescido e evoluído de forma surpreendente. Do homem das cavernas, para o início do século 20, chegando ao século 21, muita coisa vem mudando. Seria uma ‘evolução’, ou uma ‘involução’ do ser humano? Nada contra a orientação sexual de cada um, pois isso só tem a ver com o seu interior e com sua maneira de pensar e agir. Apenas uma reflexão a respeito da família, como a sociedade a entende tradicionalmente, e que sabemos, vem sofrendo transformações muito acentuadas nos últimos tempos. Que consequências essas mudanças vão acarretar nas pessoas no decorrer do tempo? Talvez possamos identificá-las e analisá-las daqui a 100 anos.
Para efeito de reflexão e análise sobre esse tema tão complexo e intrincado, vejamos um texto de Cristina G.M. de Oliveira, a respeito de um ‘tempo’ intermediário ao que descrevemos anteriormente: A História da Grécia, e a Paideia.

“Na Grécia clássica, as explicações dos comportamentos e dos fatos, predominantemente religiosas, eram substituídas pelo uso da razão autônoma, da inteligência crítica e pela atuação da personalidade livre, capaz de estabelecer uma lei humana, e não mais divina. Surge a necessidade de elaborar teoricamente o ideal da formação, não do herói, submetido ao destino, mas do ‘cidadão’. Este deixa de ser o ‘depositário’ do saber da comunidade, para se tornar o que ‘elabora’ a cultura da cidade. A ênfase no passado é deslocada para o futuro: o homem não está preso a um destino traçado, mas é capaz de projeto, de utopia.

Por volta do século V a.C. é criada a palavra ‘Paideia’ que, de início, significa apenas criação dos ‘meninos’ (pais, paidós, criança). Com o tempo, adquire nuanças que a tornam intraduzível, ao pé da letra. Não se pode evitar o emprego de expressões modernas como civilização, cultura, tradição, literatura ou educação, porém, nenhuma delas coincide com o que os gregos entendiam por Paideia. Cada um dos termos citados se limita a expressar ‘um’ aspecto daquele conceito global e, para abranger o campo total do conceito grego, teríamos que empregá-los todos de uma só vez.”

O leitor, a esta altura, poderia estar se perguntando: Afinal, onde está a ligação dos pensamentos expostos acima, e onde quero chegar? Pois bem, para responder a essa pergunta, fui buscar o argumento de Rubem Alves, quando perguntado sobre o que o leitor poderia esperar dele no ‘Aula Aberta’, e ele respondeu: “Rasteiras. Em psicanálise, ‘lapso’ quer dizer ‘tombo’ e, portanto, a verdade só vem do tombo, da rasteira, do levantar de novo”.
Quero que meu leitor entenda que as pessoas pensam de maneiras diferentes e, só assim, elas podem sair da sua mesmice.”