Dia a Dia

As Quatro Estações do Casamento

PATRÍCIA LOPES PEREIRA SANTOS

24 de março de 2022

Algumas vezes a gente não percebe o óbvio.
Buscamos nos livros, podcasts e vídeos “as várias maneiras de promover o nosso crescimento pessoal e conjugal” e deixamos de aprender com aquilo que está todos os dias ao alcance dos nossos olhos. A gente olha e não enxerga.
Então, chegam “alguéns” e nos mostram que, enquanto olhar é uma experiência biológica, enxergar é uma prática que envolve a alma.
Foi isso que aconteceu comigo e com o meu esposo no VIII Encontro de Casais realizado pela Igreja Presbiteriana Central de Passos.
Beto e Shirley, os palestrantes convidados, nos conduziram com muito amor e simplicidade para um lugar em que as coisas ordinárias se tornaram extraordinárias para o nosso aprendizado.
O tema escolhido para nossa reflexão durante o final de semana do encontro foi “As Quatro Estações do Casamento”, baseado no livro de Gary Chapman.
Tanto o mundo ao redor, quanto a nossa condição humana interior revelam como Deus é organizado e criou a vida de forma ordenada e cíclica. O ano com as suas estações, o dia com os seus turnos e o corpo feminino com o seu ciclo biológico, tudo cuidadosamente planejado para desconstruir a nossa ilusão de que a vida é estável.
Tudo é movimento, e se alguém já teve a chance de observar um monitor de um leito hospitalar, já percebeu que, estranhamente, a linha contínua, sem altos nem baixos, significa morte.
Também o nosso relacionamento conjugal é cíclico, ora usufruímos dos frutos da primavera, ora experimentamos a estiagem do outono, e reconhecer isso é um tijolo a mais na construção da maturidade conjugal.
Não sabemos quando o inverno chegará, nem quando experimentaremos a escassez, o isolamento ou o silêncio nas nossas relações matrimoniais, mas aprendemos com a natureza e também com as Escrituras Sagradas que as Misericórdias de Deus se renovam a cada manhã. Não é por acaso que a metáfora para o recomeço e o novo dEle para as nossas vidas é o raiar do dia.
Na Fábula da Cigarra e da Formiga, enquanto esta trabalha para se precaver dos rigores do inverno, aquela apenas se concentra nos prazeres do momento e, posteriormente, sofre as consequências dos ciclos naturais da vida.
O meu marido e eu escolhemos imitar a formiguinha, e não apenas para nos prepararmos para os invernos da vida, mas porque simplesmente O queremos conosco. No final das contas, tudo na vida é uma questão de escolha.
Com gentileza Ele bateu na porta do no nosso lar( Ele é um gentleman e não impõe a Sua presença), nós ouvimos a Sua voz, abrimos com honra a nossa casa, O convidamos para se assentar e cear conosco, e hoje compartilhamos com Ele dessa Graciosa Mesa, lugar em que aprendemos todos os dias o valor de receber, mas principalmente o de entregar para Ele e para o outro.
Muito obrigada aos Pastores Beto, Leonildo e Moisés pelas Palavras de Vida ministradas aos nossos corações. Obrigada à amiga Schirley que com sua fala mansa e amorosa nos ensinou a utilizar muito bem as janelas dos nossos apartamentos e casas (desculpe-me leitor, essa é uma piada apenas para quem participou do encontro). Obrigada ao Ministério Renovar e à Equipe de Louvor por nos relembrarem que o céu é aqui. Porque dEle, por Ele, e para Ele, são todas as coisas.

PATRÍCIA LOPES PEREIRA SANTOS, graduada em odontologia (PUCMG) e direito (Fadipa), mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional (Unifacef- Franca) e Especialista em Direito Público (Faculdade Newton de Paiva), é servidora pública do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. E-mail: [email protected] gmail.com