Dia a Dia

As lições da vida

POR DÉCIO MARTINS CANÇADO

13 de abril de 2021

Ultimamente, tenho me perguntado qual seria a razão de as pessoas terem dificuldade em fazer ‘bem feito’ as coisas que normalmente lhes compete realizarem. Há um ditado antigo e bastante conhecido, sob diversas formas, que diz: ‘quem faz bem feito, só faz uma vez’, ou ‘fazer bem feito dá menos trabalho’. A ‘sabedoria’ popular é chamada assim, certamente, não por acaso. Ela é fruto da experiência de vida, da observação, da vivência das pessoas através dos tempos.

O estudo da História deveria servir para os líderes de qualquer segmento social, em especial, para os políticos não cometerem os mesmos erros do passado, causando guerras, má distribuição de renda, falta de assistência social e de atendimento à saúde. Prioridades equivocadas, perseguições políticas, religiosas ou ideológicas, além de muito sofrimento, poderiam ser evitados, tomando-se como exemplo os erros e acertos já cometidos pela humanidade.

Mas a raça humana só aprende por meio de suas próprias experiências. Todo aprendizado é importante e necessário, porém, a utilização de conhecimentos prévios, já descritos e comprovados historicamente, poderia ser aproveitada. Na ciência, temos a constatação de que são os conhecimentos prévios que possibilitam os avanços, as novas descobertas.

Na escola, isso não é diferente. Apesar de tantos filósofos, psicólogos, psiquiatras e educadores já terem estudado e vivenciado as mais diversas situações, terem escrito inúmeras obras a respeito do assunto, publicado incontáveis artigos mostrando suas experiências e propalando suas teorias, a prática nos mostra outra realidade. “Pelas estatísticas oficiais, 60% dos alunos do 5º ano (antiga 4ª série) não sabem ler nem efetuar as quatro operações.” Alunos do Ensino Médio não conseguem entender uma simples notícia de jornal. Há alguma coisa errada na Educação. Na prática do ensino.

Em um planeta globalizado, com acesso à Internet em tempo real, com experiências históricas ao seu dispor, com facilidade de obtenção de todo tipo de informação, através de livros, que hoje são distribuídos gratuitamente, ou através de ‘sites’ especializados, deveríamos contar com escolas perfeitas, alunos geniais, professores brilhantes, todos com o máximo de conhecimento, melhorando a qualidade de vida de toda a sociedade.

Por falta de uma explicação mais contundente, entre tantas outras, é bem provável que o culpado seja o ‘currículo’, que pretende que os alunos do ensino básico aprendam até ética e filosofia moral, sem ter ainda maturidade para isto. Que sejam ensinados a “compreender a cidadania como participação social e política, adotando no dia a dia, atitudes de solidariedade e repúdio às injustiças”.

Tenho observado também que a maioria dos professores encontra dificuldades para mudar seu jeito de ser, e de fazer. É muito comum repetirem as mesmas atitudes de seus ex-mestres, que utilizaram métodos muito conhecidos há 20 anos ou mais, e que hoje, com a velocidade das mudanças no mundo e, em especial, nas crianças e jovens, já não são concebíveis.

Da mesma forma, muitos pais insistem em repetir a maneira de educar os filhos que receberam de seus antepassados. Ou, pior ainda, agem sem nenhum critério, sem nenhuma noção do que estão fazendo, deixando a educação dos filhos entregue ao celular.

A lição de casa, para cada um de nós, professores e pais, é refletirmos sobre nossa prática educacional, nossa prática de vida, sobre onde e o quanto devemos mudar, atualizando o nosso modo de pensar e agir, utilizando sempre a ‘empatia’ (colocar-se no lugar do outro), para que possamos almejar, pelo menos, um início de mudança na educação e, por consequência, na sociedade.