Dia a Dia

Aconteceu na canastra

POR ISADORA APARECIDA DE OLIVEIRA

7 de Maio de 2021

Em meados do século passado, viveu um jovem robusto, inteligente e bonito chamado Antônio. O rapaz morava com seus pais, em Belo Horizonte. Apesar de ter sido criado na Capital, seu sonho era ser capataz de fazenda. A fim de cumprir seu destino, mesmo contrariando um pouco os pais, mudou-se para o interior de Minas e lá se empregou em uma fazenda de gado.

Rapidamente, aprendeu todos os ofícios do campo e era também o melhor domador de cavalos da região. Manuel, o patrão, já confiava totalmente naquele rapaz dedicado e trabalhador e o fez capataz da fazenda. Antônio passou a ganhar mais, assim construiu uma bela casinha em um terreno cedido pelo fazendeiro. Era perto da fazenda, e nos fundos da casa havia uma mata e um riacho cheio de peixes. Tempos depois, trouxe os pais para morar com ele na fazenda.

Alguns anos mais tarde, foi cumprir um pedido do patrão. Ele foi mandado por Manuel para descobrir o que acontecia com o dinheiro do gado que ele vendia e desaparecia juntamente com os boiadeiros, no meio do caminho.
Com um pouco de medo, Antônio viajou para a Serra da Canastra, se passou por boiadeiro para conversar com as pessoas que viviam às beiras das estradas. Soube de muita coisa, algumas até assustadoras, sobre boiadeiros que desapareciam para sempre nos vãos da Canastra.

Tudo acertado, ele vendeu o gado e iniciou a jornada de volta, trazendo o dinheiro para Manuel. A viagem era longa e anoiteceu no caminho. Receoso, mas sem alternativa, ele parou numa pousada para passar a noite. Ali mesmo, conheceu Maria de Lourdes, uma moça gentil e bonita. Ele se encantou por ela e ela por ele.

Antônio, antes de se despedir, pois sairia de madrugada no outro dia, presenteou a moça com a corrente de ouro e o crucifixo que trazia no pescoço. Grata e emocionada, Maria lhe contou um segredo: ele soube que assim que hóspedes iam para o quarto se deitar, o pratão ficava à espreita e quando escutava o ruído da palha na cama, entrava no quarto e matava o hóspede, roubando todo o dinheiro da venda de gado.

A par daquela revelação, Antônio foi se deitar. Passados alguns minutos, começou a se mexer. Levantou-se da cama, se escondeu atrás do armário. Quando a porta começou a ser aberta, ele atacou o dono da pousada que caiu desacordado. Antônio o amarrou e disse à Maria que chamasse os vizinhos e as autoridades. Quando a polícia chegou, descobriram que o homem já havia assassinado muitos boiadeiros. Ele foi preso por todos os crimes cometidos e passaria o resto da vida atrás das grades.

Quando Antônio voltou para a fazenda, levou Maria de Lourdes consigo. Ao chegarem, ela foi apresentada aos pais e ao patrão. Como era uma moça muito bonita e simpática, todos a receberam muito bem. Ela sabia tudo sobre como cuidar de uma casa e cozinha de fazenda. Foi contratada para organizar e ensinar os serviços às mulheres que trabalhavam ali.

Com a bênção dos pais, Antônio e Maria de Lourdes se casaram em uma linda festa que reuniu toda a gente da região. Havia muita comida boa: churrasco, mesa variada de doces e muita bebida. Teve dança a noite toda e a festa só terminou quando o dia amanheceu. O casal foi muito feliz e teve três filhos: Marcelo, Ricardo e Teresa. *Homenagem à Lourdes e Maria, minhas avós.

ISADORA APARECIDA DE OLIVEIRA faz parte de um grupo de alunos do 3º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, que no ano de 2018, integrando um grupo organizado pela escritora Maria Mineira, com o apoio da Cooperativa Educacional de São Roque de Minas lançou em 2019: “ Letras da Canastra- Cooperativa Educacional Escrevendo História”. Para adquirir um exemplar entre em contato pelo e-mail: [email protected]