Dia a Dia

A sombra da madrugada

POR JOÃO DE FARIA CRUVINEL NETO

30 de abril de 2021

Meu pai sempre me contou essa história… Meus avôs, minha mãe e meu pai moravam em uma casa antiga. Entre a cozinha e o quarto de meu pai e minha avó havia somente uma parede. Como a casa era de telhado simples, ficava um vão entre a parede e o teto, pois a parede não chegava até as telhas. Meu pai estava dormindo um sono pesado, mas durante a madrugada acordou com uma sede danada… Então ele chamou sua mãe que dormia do lado e falou:

— Mãe, preciso ir à cozinha beber água, mas estou com medo!

Minha avó disse, meio sonolenta:

— Pode ir, meu filho, haverá sempre uma pessoa lhe acompanhando por onde você andar…

Ele ficou um pouco confuso, mas foi. Quando se levantou, viu o relógio na parede marcando três horas. Sentiu uma coisa muito estranha. Ao olhar em direção às telhas, reparou um vulto preto atravessando por aquela passagem. Não se importou e continuou andando, feito sonâmbulo, nem acordado e nem dormindo, pois estava com muito sono.
Meu pai acredita que naquele momento perdeu os sentidos ou dormiu, pois só se lembra de ter visto alguém abrindo a torneira do filtro, depois ouviu o barulho da água enchendo o copo. O mais estranho de tudo é que sentiu duas mãos macias segurarem seu rosto e colocar a água em sua boca.

Depois disso, foi amparado pelos ombros e acompanhado até a cama. Ele viu que sua mãe dormia tranquila. Então, não era ela quem lhe dera a água… Acordou confuso, mas estava tudo bem. Muitos anos se passaram, mas ele nunca se esqueceu desse fato, pois jamais soube se foi sonho ou realidade…

JOÃO DE FARIA CRUVINEL NETO faz parte de um grupo de alunos do 3º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio, que no ano de 2018, integrando um grupo organizado pela escritora Maria Mineira, com o apoio da Cooperativa Educacional de São Roque de Minas lançou em 2019: “Letras da Canastra- Cooperativa Educacional Escrevendo História”. Para adquirir um exemplar entre em contato pelo e-mail: [email protected]