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A relação entre meme, vírus, coroa e ciúmes

Língua Portuguesa

18 de abril de 2020

Os últimos dias estão nos mostrando um sentimento de incertezas, esperanças e perplexidades também. Uma miscelânea de coisas. Como ninguém é normal, vou fazer um rebuliço nessa crônica para tratar de alguns termos usados com propósitos conceituais que ecoam em tempos de quarentena.

No mundo da internet, há uma palavra muito usada que é o Meme. Essa expressão é caracterizada por uma ideia que se espalha de modo rápido pela Web. É interessante notar que a origem dela pertence ao livro “O Gene Egoísta” (1976), do escritor Richard Dawkins cuja intenção era dar nome a um composto de informações que se intensificavam entre mentes, em livros e em outros lugares. Esse conceito é conhecido como o estudo da memética.

Por meio do Meme que propaga, espalha, difunde algo na internet, lembramos da palavra “vírus”. Quando uma notícia viraliza, dizemos que a Web está “bombando” com aquele assunto. Aliás, acho muito significativo o termo, pois é como se fosse uma explosão e, convenhamos, muitas vezes, trata-se de uma coisa besta, sem sentido e sem contexto. Estão lembrados do golden shower? Eita!

O vocábulo “vírus” vem do latim “virus” que significa seiva de planta, veneno, líquido espesso, algo que vem de um mal cheiro. Portanto, originalmente, esse termo não possui um sentido dos melhores. Mas, como toda língua sofre alterações de significação, forma etc, precisamos aceitar. Contudo, não podemos nos abster de conhecer para não cairmos em ignorâncias.

E por falar em vírus, temos o novo coronavírus, conhecido como covid 19, termo cunhado do inglês “corona virus disease” (doença de coronavírus) que surgiu no final de 2019. Ele possui esse nome porque tem o aspecto de uma coroa, com várias pontas. A estatística mostra que esse vírus é mais perigoso para os idosos. Como chamamos carinhosamente os nossos idosos? Coroas, não é? Coroa vem do latim “corona”. Então, por que os chamamos desse modo? Podemos dizer que um idoso está no alto de sua maturidade, tornou-se um ilustre, que está por cima da crista (pelo menos, deveria estar, né?). Assim, é possível fazermos uma analogia. Há nisso uma relação entre o nome do vírus e o fato de que ele é mais perigoso para os idosos (coroas)? Até o momento, podemos dizer que não porque esse apelido é específico da nossa cultura. Uma coincidência.

Por fim, gostaria de falar da palavra “ciúme” que, entre outras acepções no dicionário Michaelis, é definida como “sentimento negativo em que se mesclam ódio e desgosto, provocado pela felicidade ou situação favorável de outrem”. Ou seja, é a verdadeira inveja. Ciúme vem do latim “zelumen, de zelus, “desejo amoroso, ciúme, emulação”. Também vem do Grego zelos, “zelo, ardor, ciúme”. Falei sobre isso em uma roda de conversa virtual, na última quinta-feira, e um desatento me perguntou: professor, por que a palavra “ciúme” entrou nesse contexto? Respondi: culpa do Mandetta. Foi ele quem provocou tal sentimento. Uma parte de risos, outra, de silêncio. Não está fácil.

 

Prof. Dr. Anderson Jacob Rocha. Autor do livro: A Linguagem da Felicidade. Instagram: @prof_andersonjacob. Facebook: Anderson Jacob Rocha