Cinema

‘Top Gun: Maverick’ é uma viagem bem-vinda

21 de Maio de 2022

No início de Top Gun: Maverick, Tom Cruise, de óculos de sol Aviator e jaqueta de couro, sobe na sua motocicleta possante e acelera uma máquina do tempo. Não, não é bem isso. Na verdade, somos nós que fazemos uma viagem de volta ao passado.

Mais de trinta anos depois que Cruise abriu caminho para uma das expressões mais convencidas dos anos 80 como o piloto da Marinha de codinome Maverick, ele retoma o personagem sem qualquer esforço no novo capítulo de Top Gun – uma viagem absolutamente agradável, um exemplo didático de como fazer uma sequência.

Top Gun: Maverick, com pré-estreia neste sábado no Cine Roxy, em Passos e em cartaz a partir de quarta, 25, satisfaz a plateia com um pé no passado, trazendo todas as marcas registradas do primeiro filme – motocicletas rápidas, a música ‘Danger Zone’, fetichismos militares, superiores mal-humorados, esportes sem camisa, cantorias no bar e manobras aéreas – mas ainda fica de pé por conta própria. Não é sobrecarregado por sua história como a última sequência de ‘Ghostbusters’, mas usa o presente para ecoar questões do passado.

Cruise está de volta, claro, reprisando seu rebelde piloto de testes, agora lotado num canto esquecido do deserto de Mojave: é um mero capitão quando deveria ser almirante só porque continua contrariando a autoridade. Os anos não acalmaram o estilo impulsivo e a cabeça quente de Maverick. Os pilotos fazem, argumenta ele, não ficam ruminando as coisas. “Lá em cima, se você para pra pensar, você morre”, afirma ele. É Cruise na sua melhor forma: sedutor, seguro e arrogante, os dentes brilhando na luz do sol.

Seu outrora rival Iceman – Val Kilmer – e também está de volta, agora chefão na Marinha. E até Goose está de volta, por meio de seu filho, o igualmente bigodudo Miles Teller, que é muito parecido com Anthony Edwards, ator que interpretou o parceiro de voo de Maverick e seu melhor amigo no primeiro filme. Sua morte continua pesada para Maverick mesmo trinta anos depois: “Fale comigo, Goose”, ele sussurra para si mesmo.

Algumas coisas mudaram, é claro. Os F-14A Tomcats foram substituídos pelos F/A-18 e os pilotos arrogantes do primeiro filme viram a chegada de algumas mulheres igualmente arrogantes. Infelizmente, parece que são os últimos dias de ousadia de homens e mulheres na aviação: as aeronaves sem piloto são mais confiáveis e estão chegando. “O futuro está aí e você não vai fazer parte dele”, Maverick ouve de Ed Harris, que interpreta mais um almirante mal-humorado.

Mas, à beira da extinção, Maverick tem uma última missão na Marinha: treinar um grupo de jovens presunçosos para uma perigosa missão de bombardeio no Irã. O problema: entre os jovens que ele precisa treinar está o filho de Goose, codinome Rooster. Será que Maverick vai perder esse também? Será que vai conseguir enganar John Hamm, que faz um oficial autoritário com uma deliciosa calma furiosa?

TOP GUN: MAVERICK (Top Gun: Maverick). EUA, 2022. Gênero: Ação. Direção: Joseph Kosinski. Elenco: Tom Cruise, Miles Teller, Jennifer Connelly. Cine Roxy, em Passos, sábado, 21, às 15h30 e 18h30 (Dub); domingo, 22, 15h30 e 18h30 (Dub); quarta-feira, 25, 18h30 (Dub).