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A evolução do Batman sombrio

CINEMA

3 de março de 2022

Situado em seu segundo ano de luta contra o crime, o filme mostra Batman e a Mulher Gato descobrindo a corrupção em Gotham City./ Foto: Divulgação.

Mais de 80 anos separam a Detective Comics #27, primeiro quadrinho do Homem-Morcego, da estreia do filme Batman, a mais recente produção do herói protagonizada por Robert Pattinson, em cartaz nos cines Roxy, em Passos, e A, em São Sebastião do Paraíso. E o personagem não poderia ter mudado mais. Ao longo dessas oito décadas, o herói apresentou diversas facetas nas HQs, buscando encontrar uma identidade definitiva e, principalmente, se adequar ao que a sociedade estava querendo, pensando e consumindo.

Sem qualquer tipo de ligação com os filmes da Liga da Justiça, o Batman do Ben Affleck ou até mesmo o Coringa de Joaquin Phoenix, o longa de Matt Reeves volta àquela pega mais pé no chão que tanto fez sucesso na trilogia de Christopher Nolan nos anos 2000. O filme já começa com o Batman (Robert Pattinson) atuando como herói, com elementos clássicos, como o Bat-sinal e o traje escuro, já estabelecidos.

Então, a equipe criativa evita mostrar novamente o assassinato dos Wayne, apesar do tema repercutir ao longo da trama. Isso traz uma boa dinâmica para o longa, que não perde tempo contando tudo aquilo que já foi mostrado em dezenas de produções anteriores e já não causa mais tanto impacto assim.

Com isso, o filme se preocupa em desenvolver um Batman mais iniciante e porradeiro. Quando foi escalado para o papel, Pattinson foi criticado por seu porte esguio. No filme, ele não está gigante como outros heróis, o que permite a ele ter mais agilidade nas cenas de combate, que são um dos melhores pontos de todo o filme. Ele traz as melhores coreografias de luta do herói de todas as adaptações do personagem para os cinemas.

Essa desenvoltura nas cenas de luta só é possível por conta do físico do ator e do uniforme, que passa imponência, mas também é muito prático, sendo leve e trazendo aparatos com aparência amadora e muita eficácia.

Alvo de muitas críticas quando foi revelado ao público, o traje do herói funciona muito bem para a proposta do filme. Esse visual meio tático mais improvisado casa perfeitamente com o controverso Bruce Wayne e parece remeter a outras roupas do Morcegão nas telonas. A máscara, por exemplo, tem momentos em que lembra muito a do Batman dos anos 60, não apenas pelo formato, mas também por dar mais espaço para os olhos e cobrir menos o rosto, deixando a mandíbula toda exposta, o que permite que Pattinson passe mais sentimentos com o olhar e expressões faciais do que seus antecessores.

Agora vivida por Zoë Kravitz, a Mulher-Gato é parte importantíssima da trama, porque funciona como uma ferramenta de humanização do herói, que desce desse posto de criatura invencível quando se vê envolvido na trama pessoal dela. Isso costuma dar errado nos cinemas, porque a tendência é que a personagem feminina acabe sendo diminuída.

BATMAN (The Batman). EUA, 2022. Gênero: Ação, aventura, policial. Direção: Matt Reeves. Elenco: Robert Pattinson, Zoë Kravitz, Paul Dano, Jeffrey Wright, John Turturro, Andy Serkis e Colin Farrel. Cine Roxy, em Passos, 16h30 (Dub) e 20h20 (Leg). Cine A, em São Sebastião do Paraíso, 17h30 (Dub) e 21h00 (Leg)