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Cine Clube exibe obra de Hitchcock

James Stewart e Kim Novak em obra de Hitchcock que completa 64 anos como um dos melhores filmes já feitos./ Foto: Reprodução.

CINEMA

Quando “Um Corpo Que Cai” (Vertigo) começa, a primeira sensação do público é de incômodo: a câmera está próxima demais ao rosto e aos olhos de uma pessoa e parece querer mostrar que há vários segredos nesse olhar. Esse sentimento se repete várias vezes no filme de Alfred Hitchcock, que completa 64 anos de lançamento em 9 de maio e continua influenciando a cultura pop. O filme será exibido nesta terça, 9, no Cine Clube Pipoca de Bala Pipper.

Porém, em seu lançamento em 1958, a produção não fez tanto sucesso quanto outras obras do diretor, como “Janela Indiscreta” (1954). O motivo disso, segundo Patricia Hitchcock, filha do diretor, é que o filme estava à frente de seu tempo. “Tem todos os tipos de medos e fobias e isso é o que as pessoas querem ver agora. Não fez sucesso antes. Foi moderado, mas não como “Psicose” e “Os Pássaros”. É interessante ver como os jovens vão assistir hoje e eu acho que eles gostam”, disse em 1996, época que a obra ganhou uma versão restaurada.

Mas o que torna esse filme tão atrativo? Uma das respostas é a grande sensação de mistério que permeia a história. Quando Scottie (James Stewart), que está lidando com uma fobia de altura após um grande trauma, começa a investigar a mulher de seu melhor amigo, não fica claro qual história está sendo contada. Em vez de respostas, quem assiste começa a ter muitas perguntas: qual será o segredo da esposa? Será que Midge, a melhor amiga de Scottie, tem algo a ver com isso? E a fobia do protagonista, mostrada apenas no começo, terá importância? A resposta de Hitchcock a isso é um filme que se revela aos poucos e, além de responder às dúvidas do público, apresenta outros aspectos ainda mais profundos, como loucura, obsessão, sensualidade e cobiça.

Ao investigar Madeleine, interpretada por Kim Novak, Scottie se apaixona, mas não de uma forma convencional: para ele, as atitudes intrigantes da mulher a tornam quase uma “entidade” e sua reação a isso é uma obsessão para conseguir o que quer.

Hitchcock revelou que, para ressaltar essa ideia, mostrou a mulher com um filtro de neblina em várias cenas. Porém, quando o público pensa que vai testemunhar essa história de amor, algo inesperado acontece com Madeleine e Scottie entra em um estado depressivo até conhecer Judy e resolver fazer dela sua nova paixão. Um dos momentos mais icônicos, e que realmente demonstra a fixação do protagonista, é quando ele decide comprar roupas para que Judy fique igual a Madeleine.

O que faz de “Um Corpo Que Cai” um longa tão inesquecível é sua capacidade de discutir temas universais e inerentes ao ser humano, ao mesmo tempo em que deixa o público fascinado com suas reviravoltas. Uma obra-prima, de fato.

UM CORPO QUE CAI (Vertigo). EUA, 1958. Classificação: 14 anos. Duração: 128 minutos. Gênero: Mistério, Romance, Thriller. Elenco: James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes, Tom Helmore, Henry Jones, Raymond Bailey, Ellen Corby, Konstantin Shayne e Lee Patrick. Cine Clube Pipoca & Bala Pipper, na Casa da Cultura de Passos, entrada gratuita, a partir das 20h, terça-feira, 9.

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