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Dia Nacional do Surdo, celebrado neste domingo, marca a luta por inclusão

Por Carlos Renato / Especial

27 de setembro de 2021

O casal Marco Aurélio Santos Costa e Sandra da Silva Costa, que sofrem de surdez profunda, acompanhado pelo filho Pedro Paulo, de 13 anos e que é ouvinte./ Foto: Divulgação.

PASSOS – O Dia Nacional do Surdo é celebrado neste domingo, 26. A campanha do Setembro Azul tem como finalidade chamar a atenção para a luta, visibilidade e acessibilidade da população surda no Brasil. A cor azul foi escolhida como um símbolo de orgulho e resistência e remete à Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas identificavam as pessoas com deficiência por uma faixa azul no braço. No Brasil, muitos deficientes auditivos ainda enfrentam dificuldades na inserção na sociedade.

Para a dona de casa Sandra da Silva Costa, de 43 anos, que tem surdez profunda, a data comemorativa é de extrema importância por mostrar uma parte da sociedade que ainda está invisível.

“É uma celebração especial tanto para a comunidade surda quanto para a sociedade em geral, porque busca a inclusão, algo que significa muito para nós, com a união de surdos, intérpretes e ouvintes”, ressalta.

Segunda ela, os surdos ainda enfrentam situações de exclusão na sociedade porque poucas pessoas não surdas sabem a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

“Em todos os lugares comerciais é difícil a comunicação porque não tem intérpretes nos setores públicos ou privados na nossa cidade. Já fui em lojas e sai sem comprar nada porque o vendedor não me entendia. Quando vou ao médico ou dentista, a consulta fica dificultada. Atualmente, sempre alguém me acompanha quando preciso de atendimento médico, mas o certo era ter um intérprete nesses lugares, porque é essa ausência é um desrespeito ao surdo”, afirma.

“Tenho um filho que escuta normalmente, mas ele só começou a falar com 3 anos de idade porque eu e o esposo não podíamos ensinar a falar. Precisamos da ajuda da minha mãe e de alguns amigos que nos ajudaram quando ele começou a falar as primeiras palavras”, relata Sandra sobre as dificuldades enfrentadas pela falta de inclusão.

O esposo de Sandra, que também é surdo, Marco Aurélio Santos Costa, de 56 anos, acredita que a data e a campanha do Setembro Azul dão oportunidades para despertar nas pessoas o interesse em aprender a linguagem de sinais. Mas reforça que ainda enfrenta adversidades no seu dia a dia.

“Tenho muitos problemas quando vou ao banco, lojas, farmácias, no INSS e no Fórum porque nesses lugares não tem intérpretes e, mesmo escrevendo, a comunicação não funciona bem, porque tenho dificuldades para entender o português escrito”, afirma.

“Também não sou surdo oralizado, que são as pessoas surdas, mas que conseguem falar, então, não consigo falar ou ler a boca dos ouvintes. Na pandemia, com as máscaras, a situação piorou”, relata ele.

Segundo dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, 10 milhões de brasileiros são surdos, o que representa cerca de 5% da população. Desses, 3% utilizam algum tipo de recurso de acessibilidade.