Carlos Renato
CAPETINGA – A Prefeitura de Capetinga reivindica a conclusão de uma terceira faixa da rodovia MG-444, no trecho conhecido como Serra da Capetinga. A Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (Ameg) montou, nesta semana, uma força-tarefa para formar uma frente conjunta e levar as reinvindicações ao Departamento de Estrada e Rodagem de Minas Gerais (DER), órgão responsável pela obra.
De acordo com a prefeitura, a administração criou esse movimento político, através de medidas efetivas e imediatas, com envio de ofícios e esclarecimentos ao departamento.
Já o DER esclareceu ao município que seria inviável a implantação da nova faixa nesse trecho devido ao terreno íngreme e com presença de barrancos, o que dificultaria o trabalho da empresa vencedora da licitação, além de encarecer o contrato de execução da obra.
Segundo o prefeito do município, Reginaldo Mendonça (Nardo do Calau), a empresa responsável pela obra informou que o trecho reclamado, de 1,9 mil metros, não estaria no projeto original de execução da obra de melhorias e de infraestrutura.
“O trecho que ficará de fora da ampliação é justamente o mais crítico, onde se concentram os maiores índices de acidentes graves, devido à geografia sinuosa e ao intenso fluxo de veículos. É o ponto mais importante da estrada. Não faz sentido paralisar a obra agora, quando falta tão pouco e quando estamos justamente no local onde mais precisamos dessa terceira faixa”, afirma o prefeito.
Nardo do Calou informou que está unindo forças juntos aos prefeitos da Ameg, para formar uma frente conjunta de pressão política. “O objetivo é buscar o apoio de deputados estaduais e federais, além de acionar o Governo de Minas, para reverter a decisão e garantir a retomada da obra”, disse.
Conforme o prefeito, a terceira faixa da MG-444 é considerada uma intervenção estratégica para a segurança viária e o escoamento da produção agrícola e industrial da região.
“A paralisação da obra, sobretudo no trecho da serra, é vista com preocupação pelas lideranças locais. Estamos falando de vidas. É um trecho de alto risco e a terceira faixa é fundamental para dar fluidez ao tráfego e reduzir acidentes. Já perdemos diversas vidas nesse trecho”, reforça Nardo.
A prefeitura justificou ainda que o DER pode se valer de outros mecanismos para a continuidade da obra, como por exemplo, mudar o projeto de execução e acrescentar aditivos no valor do contrato firmado.
Ameg
Durante a semana, a Ameg tem articulado com lideranças locais para resolver o impasse. O prefeito de Itaú de Minas, Norival Lima, o prefeito de Pratápolis, Everilson Leite, e o prefeito de Cássia, Donizete Vilela (Negrinho) estiveram no local manifestando o descontentamento com a situação.
Para o prefeito de São Sebastião do Paraíso e presidente da Ameg, Marcelo de Morais, a situação representa mais uma promessa não cumprida pelo poder público.
“Mais uma vez, estamos diante das famosas promessas que não saem do papel. Como é possível deixar justamente o trecho mais perigoso, com o maior número de acidentes, fora do projeto de conclusão da terceira faixa? É aquilo que sempre digo: em 2026, todos aparecem com o pires na mão pedindo voto, enquanto a comunidade continua sofrendo com tamanha falta de respeito”, reclamou.
Marcelo aponta que a Ameg não permitirá que a situação passe despercebida. “Vamos mostrar, mais uma vez, por meio da Ameg, que os prefeitos de Capetinga, Pratápolis, Cássia e Itaú de Minas não estão sozinhos nessa luta. É inadmissível o que está acontecendo, para não dizer um completo ato de incompetência”, afirmou Morais.
Obra
O edital de contratação na rodovia MG-444, que liga Cássia e Capetinga, e segue até a com o estado de São Paulo, foi publicado em outubro de 2024. A obra foi orçada em R$ 28 milhões e prevê melhorias no asfaltamento, construção de pontes, inclusão de terceiras faixas e outros investimentos e intervenções.
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