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Fobia de agulha gera ‘caos’ em tempos de imunização contra covid

Por Adriana Dias / Redação

25 de agosto de 2021

O publicitário Abdallah Aparecido Antakli, o Abdala Junior, nem fez foto da vacinação, tamanho o medo que tem de agulha./ Foto: Divulgação.

Cerca de dez em cada 100 pessoas sofrem, em algum nível, com o medo de agulhas, também chamado de aicmofobia. E, nestes últimos seis meses, esta minúscula pecinha tem sido a vilã para muitas pessoas. O dia exato para início deste processo de “pânico” foi 12 de fevereiro, tendo como símbolo a enfermeira Mônica Calazans, que recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19. Ela, não tem fobia.

Mas, para o publicitário Abdallah Aparecido Antakli, o Abdala Junior, enfrentar os 25×7 milímetros da agulha foi um teste de nervos. Desde criança, o passense tem muito medo de tomar injeção ou vacina.

“Quando mais novo, minha mãe me obrigava, e com razão, pois estava pensando e agindo pela minha saúde. Tinha que juntar um monte de gente para me segurar, era um escândalo. Quando fui crescendo, fui me desobrigando e cedendo cada vez mais ao temor, sendo que a última agulhada foi aos 10 anos. Nem cartão de vacina eu tenho”, afirmou o comunicador de 33 anos.

No dia 4 de agosto, Abdala Junior tomou a primeira dose da Coronavac e, no dia 1º de setembro, poderá ser imunizado com a segunda dose.

“Confesso que foi um trabalho árduo até a decisão de conseguir ir tomar a vacina. Este medo, a aicmofobia, não é frescura e admiti-lo não é coisa de gente fraca. Eu venci. Quem me conhece, sabe o quanto esses dias foram difíceis pra mim. Fiquei praticamente um mês sem conseguir dormir. A cada dia em que chegava a divulgação da idade a ter início a vacinação, era uma tortura. Perdi amigos para esta doença terrível, alguns que trabalhavam na rádio comigo, e mesmo assim, era difícil entender que a necessidade era maior que o medo”, contou.

Outra vítima da aicmofobia é a auxiliar de escritório, Jaqueceles Oliveira Silva, de 37 anos. Ela contou que desde os 10 anos de idade tem um medo gigante de agulhas.

“Todo tipo de agulha e tamanho me assusta. Já deixei de tomar as vacinas obrigatórias por causa do medo. Nunca fiz tratamento, mas gostaria de me tratar. Pretendo tomar a vacina contra a covid-19, mas ainda não tive coragem. Está agendada para quinta-feira, 26. Vou na fé”, afirmou.

Segundo o psicólogo da Unimed Sudoeste de Minas Dener Fraga Batista Leite, as fobias são definidas quando o medo tem direcionamento a um objeto ou situação e quando podem gerar dificuldades sociais ou problemas emocionais e físicos no paciente.

Visando o bem-estar de um paciente, o profissional de saúde pode minimizar a possibilidade de crise, evitando uma exposição excessiva ao objeto.

“Também recomenda-se a presença de um acompanhante no atendimento. O profissional deve conduzir o procedimento com calma, porém com segurança, mantendo uma conversa básica de orientação e sugerir que o paciente tente pensar em outra situação. Um exemplo pode ser pedir para contar até 10 e, neste período, orientar que iniciará o procedimento. Se o paciente ainda estiver nervoso, deve-se pedir para aguardar alguns minutos quando for possível”, disse.