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Queda na venda de carne chega a 50% em Passos

Por Stéfany Dias / Especial

23 de dezembro de 2021

O proprietário de um açougue, Cássio de A. Cruz, afirma que nos 2 últimos anos as vendas diminuíram aproximadamente 50%. Foto: Reprodução.

PASSOS – A queda na venda de carne chega até a 50% em açougues de Passos. No país, o consumo de carne bovina vem caindo há três anos consecutivos e chegou a diminuir 10% em 2020. De acordo com dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no mês passado, a estimativa de consumo per capita em 2021 é de 25,8 quilos, o menor dos últimos 12 anos.

Entre os principais motivos para o aumento no preço da carne estão o crescimento nas exportações, a alta nos preços dos insumos para os produtores e a queda da renda da população. Em novembro, a inflação das carnes chegou a 10,81% no acumulado dos 12 meses anteriores.

De acordo com Cássio de Almeida Cruz, proprietário de um açougue na cidade, a venda caiu cerca de 50% nos últimos dois anos.

“As quedas nas vendas das carnes têm sido algo preocupante. As pessoas estão partindo para coisas mais baratas e a crise tem afetado muito. Diminuiu muito e, nos últimos dois anos, afetou mais. O produto está faltando no mercado, as mercadorias que chegam para nós, em nosso estabelecimento, sempre chegam com preços novos. Sempre está aumentando, eu creio que não vai estabilizar, com a inflação, que sempre está subindo. Temos trabalhado com uma porcentagem reduzida. No meu estabelecimento, foi uma queda de aproximadamente 50%”, disse Cruz.

André Luiz da Silva, que trabalha como comprador em uma rede de supermercados na cidade, afirma que o estabelecimento conta com produção própria de carne bovina e tem tentado segurar os reajustes nos preços.

“A gente tem segurado o máximo, não repassamos o total, até por conta da nossa produção própria”, disse. Segundo ele, as vendas no supermercado estão normais e o estabelecimento registrou aumento no número de clientes, mas o aumento na demanda e a diminuição na oferta impactaram o mercado de carnes. “Teve reajuste do preço principalmente quando estava havendo exportação, mas o principal hoje é não ter boi no mercado, é lei da oferta e procura”, disse.

Para a dona de casa Rafaela Silva Oliveira, além da diminuição no consumo de carne, ela também tem adotado a substituição por produtos mais em conta e as promoções.

“Senti bastante a diferença desde o ano passado. Eu costumava comprar mais carne de vaca para minha família, e também é perceptível o aumento nas outras carnes também. Aqui em casa, diminuímos consideravelmente o consumo. Sempre que posso, substituo a carne por um omelete ou ovos fritos. Além disso, costumo fazer pratos onde a carne rende mais, como ensopados, além de preferir comprar sempre o que estiver na promoção”, disse.

A estudante Pamela Maria Ferreira Gonçalves disse que, por conta do aumento no preço da carne bovina, passou a comprar frango, que, segundo ela, é mais barato e rende muito.

“Essa mudança de preço das carnes me impactou muito, porque como eu era vegetariana, estava acostumada a pagar R$10 reais em um pacote de carne de soja, de legumes, verduras e eu não chegava a gastar muito. A partir do momento em que eu comecei a comer carne de novo, eu senti uma diferença muito grande, porque o que eu gastava comprando carne de soja, não consigo comprar de carne. Então eu opto por comprar uma carne mais barata, principalmente frango, que é mais barato e rende muito”, afirmou

Gabriel Souza Lemos Amparado também afirma que tem trocado a carne vermelha por frango e ovos.

“Senti muita diferença no último ano, meu consumo de carnes vermelhas diminuiu consideravelmente e comecei a consumir mais frango e ovo”, disse.