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Produtores enfrentam alta acima e 100% nos preços e escassez de fertilizantes

Por Felipe Misuraca / Especial

23 de dezembro de 2021

Foto: Reprodução.

PASSOS – Com aumento acima de 100% nos preços desde o início do ano, os fertilizantes têm se tornado um dos itens mais disputados pelos produtores rurais de Passos e região. As vendas a prazo estão sendo deixadas de lado e o valor da tonelada está em torno de R$5 mil. Devido à elevação nos preços no mercado internacional, aumento na demanda interna e problemas com fornecedores externos, além de logísticos, os fertilizantes se tornaram um dos itens mais problemáticos para a agronegócio brasileiro e devem ter forte impacto na inflação nos próximos meses.

Segundo Rafaela Barini, que trabalha em um estabelecimento especializado em Passos, a falta do insumo deve continuar no início de 2022.

“Acredito que a expectativa para o próximo ano seja a mesma que a atual. Enfrentamos diversos problemas para ofertar fertilizantes aos produtores rurais. Infelizmente, é um produto que está em falta”, disse. Segundo ela, uma das saídas tem sido tentar substituições para não deixar os produtores na mão, mas a medida pode impactar os lucros na venda. “Para evitar a falta do produto aos nossos compradores, buscamos realizar diversos ajustes com eles. Por exemplo, ofertamos outros produtos no lugar de determinado fertilizante solicitado. Com esses ajustes, acredito que passamos bem perto do prejuízo, uma vez que, às vezes, temos que oferecer produtos mais caros no lugar daqueles que atualmente estão em falta. Com isso, a loja acaba perdendo o lucro, uma vez que os produtos mais caros são vendidos com preços mais baratos”, disse Rafaela.

“Com a falta, a tonelada do produto ficou muito cara para comprar. Antigamente, vendíamos pelo valor aproximado de R$1.900. Agora, a mesma quantidade de produto encontra-se disponível pelo valor de quase R$5.000”, disse. Além do aumento no preço, a forma de pagamento também mudou. Antes, a venda podia ser realizada a prazo, mas, agora só à vista.

Apesar da alta no preço a procura continua alta.

“Por incrível que pareça, as vendas não diminuíram. Por mais que os preços dos fertilizantes aumentaram, os produtores ampliaram suas áreas de plantação”, disse.

De acordo com a engenheira agrônoma Evelyn Alves Dias, uma forma que os produtores rurais encontraram para amenizar os altos custo é a venda antecipada da produção.

“Os produtores estão precisando oferecer os produtos específicos mais cedo para não correrem o risco de não conseguirem entregar a tempo para as lojas. Além disso, eles evitam que o preço dos insumos aumente ainda mais”, disse.

Segundo o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (Sinrural), Darlan Esper Kallas, o cenário é de incerteza, mas há sinais de melhora no abastecimento.

“O cenário mostra uma certa incerteza. Essa adequação virá de várias maneiras. O Brasil é e sempre será o celeiro do mundo. Além disso, apesar do custo ainda nos preocupar, já há sinais de melhora no abastecimento desses produtos e insumos agrícolas e veterinários”, disse.

De acordo com levantamento divulgado pelo Sistema CNA/Senar em outubro deste ano, a escalada dos preços dos insumos foi a principal responsável pelo aumento dos custos de produção da agropecuária em 2021.

“O fertilizante, por exemplo, subiu mais de 100% de janeiro a setembro deste ano em razão da alta demanda, problemas logísticos, questões geopolíticas e que consequência da crise energética. No acumulado do ano, os preços da Ureia, do MAP (fosfato monoamônico) e do KCL (cloreto de potássio) subiram 70,1%, 74,8% e 152,6%, respectivamente)”, informa a instituição.

Segundo o Sistema CNA/Senar, esse cenário de tendência de valorização dos preços de fertilizantes deve permanecer em 2022, impactando na margem de lucro dos produtores rurais. Segundo o órgão, entre os defensivos agrícolas, o glifosato foi o que sofreu a maior alta (126,8%), influenciada principalmente pelo fornecimento da matéria-prima, bem como pela proibição de uso do paraquat que fez aumentar a demanda.