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Produtores do Vale da Babilônia alegam que alargamento em estrada é para escoar soja

Por Adriana Dias / Redação

17 de novembro de 2021

DELFINÓPOLIS – Após a divulgação de que a Prefeitura de Delfinópolis ingressou com ação civil pública contra a Associação dos Produtores Rurais do Vale da Babilônia, o presidente da instituição, Manoel Custódio de Souza, informa que, desde 2017, com o aumento no plantio de soja na região rural que dá acesso à Canastra, mais de 50 produtores pedem ajuda da prefeitura com relação ao alargamento da estrada e que nada foi feito. Ele disse que o alargamento foi obra de todos os produtores com recursos próprios, após várias tentativas junto à administração.

De acordo com Manoel Custódio de Souza, ele ainda não foi citado da ação, encaminhada à Comarca de Cássia no dia 19 de outubro, mas já está sabendo e já está em negociação com advogado, engenheiro e um perito para apontar as falhas que são cometidas contra os produtores rurais ao longo dos últimos 20 anos ali na região, especialmente neste ponto da Serra Calçada.

“Nós somos 50 produtores associados que, toda vida, trouxe emprego e renda para a região. Com o crescimento do agronegócio, principalmente com a soja, os maquinários e caminhões precisam ter mais espaço para trafegar. Pedimos várias vezes, mas ninguém da prefeitura nos ouviu. Então, pedimos aos produtores e cada um deu um bezerro, dinheiro e juntamos algo em torno de R$50 mil que foram usados para alugar a máquina e fazer o alargamento”, contou Souza, dizendo não ter sido ele quem autorizou, mas o grupo todo de produtores.

Questionado sobre o motivo de não ter colocado mais bloquetes e meio-fio para evitar a erosão da estrada e consequente estrado da estrada, o presidente da Associação informou que o meio fio não existia do lado que fizeram a abertura.

“Estavam os produtores perdendo a produção de soja e também os veículos correndo risco de cair serra abaixo, e, mediante a recusa da prefeitura em fazer o serviço que a gente pede há anos, e isso acontece há mais de 20 anos, desde quando fizeram essa estrada calçada já fizeram estreita, e, nada de nos ajudar aos produtores. Se for ver nós produtores mantemos essas estradas rurais, só em 2018 gastamos mais de R$150 mil em reparos aqui, fora que não consertam os mata-burros, alegam que a prefeitura está quebrada, então, agora vamos aguardar o que a Justiça vai decidir, não fomos citados”, afirmou Souza.

A ação judicial proposta pela prefeitura de Delfinópolis solicita o pagamento de R$150 mil por danos morais para reparação do trecho e R$200 mil referentes aos danos causados ao meio ambiente. A administração também solicita multa diária, no valor de R$ 10 mil, para o não cumprimento.