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Mercado brasileiro de fertilizantes corre risco de “apagão”

11 de setembro de 2021

Em pleno período de preparação para o plantio e da manutenção do solo das principais safras agrícolas brasileiras, como o café, a soja e o milho, os agricultores enfrentam outro desafio: a possível escassez de fertilizantes.

O principal motivo para essa possibilidade de falta de fertilizantes para a agricultura brasileira é o gargalo logístico nos portos de entrada de mercadorias, como o Porto de Santos (São Paulo) e o Porto de Paranaguá (Paraná). Mas, o que tem provocado esse gargalo?

Com as restrições causadas pela pandemia do Covid 19, os navios acabam ficando retidos nos portos por mais tempo que o usual. Com isso, há não somente um atraso nas entregas das mercadorias, como um aumento no preço dos fretes internacionais – uma vez que os navios e contêineres ficam ociosos.

Aliado a isso, o preço dos fertilizantes tem subido vertiginosamente. Até julho, a média de aumento no preço de fertilizantes como a Ureia, Sulfato de Amônio, Fosfato Monoamônico 11-52 e Cloreto de Potássio foi mais de 100%. O Cloreto de potássio (KCl) teve o maior salto, chegando a 174%.

Evolução do preço dos fertilizantes (nov/19 a jul/21) mostra alta acelerada a partir de janeiro deste ano – AMA Brasil
O analista de mercado Marcelo Mello, em entrevista ao Canal Rural, aponta que essa tendência deve se manter até o final do ano de 2021, deteriorando inclusive as relações de troca entre fertilizantes e commodities agrícolas.

As razões para isso são várias: desde a alta demanda por fertilizantes, passando pela desvalorização do real perante o dólar e, no caso do cloreto de potássio (KCl), questões sociopolíticas nos países que fazem parte do oligopólio de produção e distribuição deste insumo. Exemplo disso são as crises enfrentadas pela Bielorrússia e o fechamento de duas minas de potássio pela Mosaic no Canadá.

A consequência é que o agricultor, além de pagar mais caro pelo fertilizante, pode ter as entregas atrasadas, correndo o risco de perder a janela de aplicação nas lavouras. Como, então, se prevenir?

Agricultores apostam em insumo nacional para garantir sua produção

Diante desse cenário de alta de preços e possível escassez de fertilizantes, o agricultor precisa ampliar o seu leque de opções e procurar novas fontes de nutrição para a lavoura. No município de Itamogi, João Batista já está fazendo isso, substituindo o cloreto de potássio por um fertilizante potássico multinutriente produzido a partir de uma matéria-prima nacional, o K Forte®. Essa nova tecnologia permite que o agricultor fique livre da dependência das importações. Além disso, o fertilizante brasileiro é fonte de potássio, silício, magnésio e manganês.

João Batista utiliza o K Forte® há 2 anos em sua lavoura de café e conta que a mudança trouxe um melhor custo-benefício: “O custo do potássio do K Forte® em relação ao cloreto de potássio é bem melhor. Então hoje em dia, com o custo de produção muito alto, se a gente puder reduzir e ter resultado, eu optaria por esse motivo. Além da fixação do potássio no solo, eu coloco uma quantidade maior. Isso significa que eu estou protegendo meu solo com antecedência.”

Essa nova mentalidade também traz outra vantagem: volta o olhar do agricultor para as fontes de nutrição nacionais. Essa pode ser uma das chaves para mitigar e proteger a agricultura do Brasil de problemas como a alta dos preços e a possível escassez de fertilizantes importados.

Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), mais de 70% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira são importados, com destaque para alta dependência externa do: Cloreto de Potássio: com cerca de 95%; Nitrogênio: com mais de 80%; Fosfato: com cerca de 60%.

Isso faz com que a agricultura nacional fique fragilizada, uma vez que o setor fica à mercê das constantes variações de preço e das questões sociopolíticas e econômicas que influenciam no valor pago pelos fertilizantes, essenciais para o setor.