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Horticultura é destaque na economia do Sul

5 de novembro de 2021

Morango, mandioquinha-salsa, couve-flor e brócolis estão entre as principais culturas

O Sul de Minas é um grande produtor de café, e o cultivo da batata também já foi famoso na região. Mas nos últimos anos, a atividade agrícola que vem crescendo significativamente nos municípios da região mais próxima da divisa com o estado de São Paulo é a horticultura. O segmento vem se expandindo em área cultivada e ganhando importância também no Produto Interno Bruto (PIB) da região.

Dados do Sistema Safra da Emater-MG de 2020 mostram que, na Unidade Regional da empresa em Pouso Alegre, cuja abrangência é de 44 municípios, o PIB do cafeicultura é de R$489 milhões (47,2 mil hectares em produção); enquanto o PIB da horticultura/olerícolas (área cultivada de 13,8 mil hectares) é de R$1,2 bilhão. Ou seja, cerca de 2,5 maior, em uma área plantada aproximadamente 3,5 vezes menor.

O coordenador técnico regional da Emater-MG, Raul Maria Cássia, diz que vários fatores têm impulsionado o desenvolvimento da horticultura no Sul de Minas. Um deles é a localização geográfica, próximo da Rodovia Fernão Dias, uma das mais importantes vias de escoamento da produção nacional.

“Estamos muito próximos de grandes centros urbanos, como São Paulo, Campinas, São José dos Campos e Sorocaba, uma região com o maior PIB do Brasil”, argumenta Raul Cássia. O coordenador diz que o clima de altitude favorece muito a qualidade das frutas e verduras, em especial no pós-colheita, que dura um período maior e permite o plantio de muitas espécies de olerícolas. “A região de altitude é uma verdadeira câmara fria natural”, diz.

Agricultura familiar

O relevo mais montanhoso e a existência de muitas pequenas propriedades no Sul de Minas também têm favorecido a horticultura, em detrimento de outras culturas mais mecanizadas.

“Na região, a reforma agrária ocorreu por herança. As terras das famílias foram sendo divididas entre os filhos. E a agricultura familiar foi ocupando as áreas mais montanhosas, de difícil mecanização”, explica o coordenador da Emater.

A necessidade de uma pequena área ter de sustentar mais pessoas é um estímulo para a implantação de culturas de ciclo mais rápido e que gerem uma maior renda por hectare, como é o caso do morango, que tem se tornado um dos carros-chefes da agricultura local.

“Cerca de 50% dos custos da produção do morango é de mão de obra, por isso a atividade em sua maior parte é familiar. E a cultura consegue sustentar uma família numa pequena área. Com a caixa de morango (4 bandejinhas) a preço aproximado de R$12, a renda bruta da cultura, sem descontar os custos de produção, gira em torno de R$500 mil por hectare. Uma média de média de 50 mil quilos por hectare”, calcula.

“Já o café tem uma produtividade média de 35,6 sacas de 60 quilos por hectare (dados de 2020/ano de bienalidade positiva) e, com a cotação em torno de R$1,2 mil por saca, dá um retorno bruto de R$45,2 mil (sem tirar as despesas)”, avalia Raul Cássia.

Renda o ano todo

Essa grande diferença na lucratividade é uma das razões para o crescimento da área plantada de morango, que passou de 1,3 mil hectares, em 2016, para 2,5 mil hectares, em 2020, nos municípios da regional da Emater de Pouso Alegre.

Em 2021, a estimativa da Emater-MG é de uma produção de 144 mil toneladas de morango no extremo Sul de Minas Gerais. Outra vantagem do morango é que, com o uso do cultivo semi-hidropônico e de novas variedades, é possível colher o ano todo e por até três anos, gerando uma renda constante para o produtor, diferentemente da maioria das culturas, que só garantem uma receita na época da safra.

“Vale a pena ser um produtor de morangos. Antes eu tivesse enxergado esse potencial mais cedo”, diz o agricultor Jorivaldo de Andrade, que há sete anos trocou o emprego na indústria pela vida no campo.

Outras culturas

A produção de mandioquinha salsa, baroa e brássicas (couve-flor, repolho, brócolis, rabanete, etc) também tem prosperado na região. Já o plantio da batata, que é uma cultura altamente mecanizada, vem ocupando uma área cada vez menor no Sul de Minas.

“Com a instalação de agroindústrias no Alto Paranaíba, houve uma migração para lá. A topografia do Sul de Minas dificulta a mecanização na safra de verão e vem aumentando a tendência do consumo de batata pré-pronta”, salienta o coordenador.

Dados da Emater-MG, indicam que a área cultivada de batata na região caiu de 19 mil hectares em 1990, para 7,6 mil hectares em 2021.