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Fertilizantes têm aumento de até 40% após guerra na Ucrânia

Por Adriana Dias / Redação

14 de abril de 2022

guerra entre a Rússia e a Ucrânia tem afetado um dos setores mais produtivos do Brasil e da região, o agronegócio./ Foto: Reprodução.

PASSOS – A guerra entre a Rússia e a Ucrânia tem afetado um dos setores mais produtivos do Brasil e da região, o agronegócio. Cerca de 35% de todo o potássio e nitrogênio do mundo – bases para a produção de fertilizantes -, ficam nestas duas áreas, o que levou imediatamente a um aumento que já chegou na casa dos 40% para o bolso do produtor rural.

De acordo com o gerente geral da Casa do Adubo, Ricardo Barbosa, há dois anos a empresa, que tem mais de 50 lojas no país, instalou mais uma em Passos e viu desde o dia 24 de fevereiro, início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, os preços subirem até 40% e são automaticamente repassados aos produtores.

“Para a produção dos fertilizantes o Brasil conta com duas matérias primas que são o cloreto de potássio e o fósforo. Dependemos da importação destes produtos. O Brasil até tem alguma área com este produto, porém, inviável a retirada e comercialização. Também utiliza-se para a produção dos fertilizantes a ureia (nitrogênio), mas este produto é mais fácil de ser encontrado em outros países, por ser derivado do petróleo, este até verificamos uma pequena queda no preço”, afirmou Barbosa.

Questionado sobre o valor que era praticando antes da guerra e agora, o gerente da Casa do Adubo informou que a tonelada de potássio era comercializada a R$5 mil e atualmente está na casa dos R$7 mil. O potássio é bastante utilizado nas lavouras de milho e soja, esta que agora tem tido um grande crescimento na região. Já o fósforo (MAP) que era vendido por R$4,5 mil a tonelada está sendo comercializado a R$6,5 mil. Também muito utilizado para as lavouras de milho”, informou o gerente.

Barbosa atribui estes aumentos às sanções econômicas impostas à Rússia por causa dos ataques à Ucrânia.

“Como se trata de produto de alto valor não é possível que o Brasil faça grandes reservas. Para se ter uma ideia existem apenas 5 empresas misturadoras dos produtos para fazer o fertilizante final, por isso temos pouco estoque, e com a falta, o preço automaticamente aumenta. Com relação às sanções que outros países estão sofrendo o Brasil não está, pois o presidente Jair Bolsonaro esteve na Rússia poucos dias antes da guerra e isso garantiu que ao menos não tenhamos cancelamento das compras. Mas, estamos vendo trades com dificuldades por exemplo até para pagar o que comprou, afinal os dois países estão em guerra. Estes dois países também dependem do Brasil para comprar, somos um dos maiores importadores do mundo”, salientou.

Brasil importa 85% do adubo usado nas lavouras

A agricultura brasileira importa 85% do total de fertilizantes que consome em suas lavouras. Rússia e Belarus são os principais fornecedores. Como alternativas o Ministério da Agricultura e embaixadores e integrantes da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira teve como objetivo ampliar a importação de fertilizantes vindos do Oriente Médio e Norte da África. Marrocos, Catar, Arábia Saudita, Egito, Omã e Argélia estão entre os principais países do mundo árabe que fornecem fertilizantes para a agricultura brasileira.

Como parte das alternativas, Barbosa alerta que já existem no mercado os compostos organo-minerais, que não eliminam o uso dos outros três elementos, mas diminui a quantidade.

“Utilizamos os mesmos ingredientes e acrescentamos restos alimentícios como de granjas de frango, de suínos. Este composto é tratado e utilizado como adubo. Outra alternativa também é um estudo conduzido pela Embrapa que revelam haver um estoque bilionário de fósforo nos solos, que se encontra inerte e que não pode ser aproveitado pelas plantas. As bactérias solubilizadoras de fosfatos, que compõem o inoculante, conseguem disponibilizar esse elemento para a planta”, disse.

O economista e diretor executivo do Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), Bernardo Silva explicou que a Russia e Belarus são importantes fornecedores globais de fertilizantes nitrogenados e potássicos, além de relevantes fornecedores de energia e gás natural (importantes insumos para a produção de fertilizantes), ambos fornecem praticamente 1/3 de todo fertilizante importado pelo Brasil em 2021.

“As restrições logísticas e sanções comerciais impostas por causa da guerra escancaram um problema que já vem se desenhando à décadas e se somam aos gargalos criados pela pandemia em termos de disponibilidade de fertilizantes no mercado”, explicou Silva.

No bolso

O produtor rural Wilson Faria, produz café em duas fazendas na comunidade rural da Mumbuca, em Passos, e contou à reportagem que os preços dos fertilizantes triplicaram.

“E, se sobe o preço do fertilizante, sobe o preço do café, não para nós produtores, mas os atravessadores passam a cobrar mais. O produtor toma prejuízo, estamos trabalhando para pagar os custos. O produtor fica com apenas 5% do lucro com o café e se há aumento do fertilizante, este lucro diminui ainda mais. No ano passado comprei o nitrogênio a R$3.780,00. Já esse ano fiz cotação e encontrei a tonelada por R$11.000,00. É um absurdo”, afirmou.