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Feira online inova agricultura familiar em Capitólio

13 de novembro de 2021

Experiência ajudou os agricultores a manter a renda durante a pandemia./ Foto: Reprodução.

Passado o momento mais crítico da pandemia da covid-19, uma das duas feiras livres de Capitólio começa a normalizar a comercialização presencial de produtos da agricultura familiar do município. A feira de terça, mais voltada para a venda de alimentos da gastronomia local, retornou em outubro no horário das 18 às 22h.

Nesta feira, o consumidor pode encontrar desde macarrão na chapa, a pão de queijo com linguiça, feijão tropeiro e caldos, entre outras guloseimas. Já a feira realizada aos sábados, que vende gêneros básicos da agricultura, como verduras, frutas, legumes, mel, queijo e peixe, entre outros, continua funcionando, das 6 às 12h. No início da pandemia, essa feira chegou a ser suspensa por dois meses, mas foi aberta, após mudar para um espaço mais aberto.

As duas feiras seguem protocolos de segurança sanitária. Mas o que ficou da fase mais aguda do distanciamento social foi a experiência dos agricultores com a comercialização online. Até então, esse era um recurso inédito para escoar a produção rural e manter a renda. Isso foi possível graças à atuação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). A ação aconteceu a partir de um projeto intitulado “Feira Livre Inovando a Vida da Família Rural”, de autoria da equipe técnica do escritório local da Emater-MG em Capitólio.

Sabendo que os feirantes são na sua maioria agricultores familiares e que, com o surgimento da pandemia, eles perderiam um dos seus principais canais de comercialização, os técnicos locais da empresa propuseram a criação de grupos de WhatsApp. O objetivo era fomentar o comércio via delivery (entrega), o que foi implantado no final de março de 2020. O sistema funcionou assim: os feirantes foram colocados como administradores e cada um encarregou de convidar os potenciais clientes. A Emater-MG definiu três etapas. Na primeira delas, elaborou o portfólio dos produtos comercializados por cada agricultor. Cada um tendo uma identidade visual, definindo produtos, preços, endereços e contatos dos feirantes.

A segunda fase foi a postagem nos grupos onde os clientes participavam, tendo a livre negociação entre as partes. Na terceira fase, de acordo com os procedimentos recomendados pela Emater-MG e adotados com as autoridades sanitárias, partiu-se para as entregas dos produtos via delivery. Nessa atividade os feirantes adotaram todos os protocolos recomendados pelo Grupo Gestor Local da Covid-19 .

A iniciativa beneficiou diretamente 14 agricultores familiares e toda a sociedade de Capitólio. Os resultados foram a manutenção da renda familiar dos produtores; fornecimento de alimentos saudáveis, com preços acessíveis na porta de casa do consumidor; melhor interação entre público urbano e rural e assimilação dos agricultores das tecnologias de comercialização possíveis pelas mídias sociais.

Novidade

“A feira on-line inovou vida do produtor rural porque era uma prática nova, da qual eles não tinham conhecimento e muito menos vivência. Mostramos a eles que isso era uma nova forma de comercializar e que a maioria das pessoas que trabalha nessa atividade estava criando novas formas de comercialização. Nós sentamos com eles e propusemos: vamos comercializar on-line, criar a página da feira livre e vocês fazem a entrega?”, explicou a técnica local da Emater-MG, Aparecida Beatriz da Silva.

A produtora de queijo Minas Frescal Juliana Jovita Santos foi uma das que aderiu às vendas, por meio do grupo de WhatsApp. Ela confirma que a nova maneira de comercializar foi a salvação para os feirantes e que o atendimento da Emater-MG e a receptividade da população de Capitólio foram fundamentais na travessia de fase tão desafiadora.

“No início da pandemia, tudo ficou meio perdido. Era uma situação nova e tudo foi sendo fechado. Então dos 100% que a gente vendia na feira, antes da pandemia, caiu pra zero por cento. Mas aí com a venda delivery conseguimos elevar para uns 50%. Já era melhor. Dava pra tirar os custos da fazenda. Acho que quem superou essa situação da pandemia vive qualquer crise financeira na vida, viu?”, disse.

Segundo Juliana Santos, a ajuda da Emater-MG foi muito importante no período, assim como a união de todos.

“A técnica da Emater ajudou muito e uma moradora da Capitólio que tem conhecimento em logomarca também. Foi assim que a gente pôde divulgar a nossa feira na internet. A população da cidade também apoiou essa ideia. A gente tem de agradecer muito os capitolinos porque eles abraçaram esse projeto e nos ajudaram. Foi um trabalho de equipe. É como um ditado muito repetido na roça: andorinha sozinha não faz verão”.

Como outros agricultores familiares, ela comercializa seu produto nas feiras de sábado e de terça. Só na feira de sábado ela vende uma média de 20 quilos de queijo. “Nos feriados a gente vende mais um pouquinho”, explica. A implantação de feira on-line em Capitólio, durante a fase mais crítica da pandemia da covid-19, foi uma das agraciadas pelo prêmio interno Melhor Inovação de 2020.