28 de abril de 2026
O modo de falar no dia a dia, comum em cidades do interior, constitui um dos traços marcantes da identidade regional / Foto: Reprodução/Web
Da Redação
PASSOS – Uma declaração do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, ao comentar o modo de falar do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, gerou repercussão nacional e reacendeu discussões sobre sotaque, variação linguística e preconceito. A fala, em que o ministro mencionou que Zema utilizaria um “dialeto”, foi interpretada por parte do público como crítica ao modo de falar típico do interior.
Para compreender os conceitos envolvidos, a reportagem ouviu o professor de Língua Portuguesa e escritor Alberto Calixto Mattar Filho. Segundo ele, a expressão utilizada por Gilmar Mendes não está necessariamente incorreta do ponto de vista técnico, mas o contexto da fala levanta questionamentos.
“Até está correta do ponto de vista linguístico. Mas a intenção foi preconceituosa e de tentativa de desqualificar intelectualmente o Zema”, afirma.
Mattar explica que há diferenças importantes entre os termos frequentemente confundidos no debate público. “O sotaque se refere às diferenças de pronúncia, ligado à fonética. Já o dialeto abrange também vocabulário e até aspectos gramaticais. As variações linguísticas são ainda mais amplas, pois incluem fatores sociais, regionais e de contexto”, detalha.