Música sertaneja dominou as paradas

Na Retrospectiva Musical de 2019, dos medalhões, Maria Bethânia foi dos poucos a lançar discos novos. O rapper mineiro Djonga prova a si mesmo com o disco ?Ladrão?

24 de dezembro de 2019

O Brasil confirmou, em 2019, que está dividido musicalmente, com estilos que não se convergem e atingem públicos distintos. O ano que termina confirma que o sertanejo contemporâneo é o estilo mais popular do País. No Spotify, a canção mais tocada foi Lençol Dobrado, de João Gustavo e Murilo. Cem Mil, de Gusttavo Lima, foi a mais executada nas rádios este ano segundo a Crowley, empresa que monitora as rádios brasileiras.

Marília Mendonça confirmou que é um fenômeno com o projeto Todos os Cantos, gravado em shows feitos pela cantora em todas as capitais do Brasil. Entre as dez músicas mais ouvidas pelos usuários do Spotify em 2019, três têm a voz dela.

 

Boa parte dos grandes nomes da música brasileira permaneceram nos palcos, mas lançaram poucos trabalhos este ano. Uma exceção foi Maria Bethânia, que roda o Brasil com o show Claros Breus, trabalhando pela primeira vez com o maestro Letieres Leite, da Orkestra Rumpilezz. Ela também lançou um álbum em homenagem à Mangueira, escola que fez de Bethânia enredo em 2016.

O sempre inquieto Ney Matogrosso fez um dos grandes shows do ano, Bloco na Rua, recém-lançado em álbum. Sem a preocupação de interpretar canções inéditas, ele equilibrou canções amorosas e bélicas.

Jards Macalé e Jorge Mautner, ícones tropicalistas, quebraram o hiato de mais de uma década sem álbuns de estúdio com canções inéditas. Boa parte do repertório dos discos – o de Macalé pelo lado sombrio, o de Mautner pelo prisma da esperança – passam por questões políticas. Reflexo de um ano em que a cultura esteve bem próxima das questões governamentais. Elza Soares e Chico César também se afinaram no mesmo tom combativo nos trabalhos que lançaram em 2019.

Chico voltou aos álbuns de inéditas com O Amor é um ato Revolucionário, depois de mais de cinco anos na estrada com Estado de Poesia. Sua postura em canções como O Homem Sob O Cobertor Puído, Pedrada e Eu Quero Quebrar mostraram o ponto de poesia equilibrado com a indignação que marcam a carreira do artista.

O efeito surpresa foi utilizado por dois importantes nomes da cena contemporânea. Depois de um período sabático, Tiago Iorc lançou o álbum Reconstrução sem aviso prévio, com 13 faixas inéditas acompanhadas por videoclipes. Depois do aclamado Tropix (2016), Céu veio com Apká!. O trabalho segue a trilha do antecessor, destacando as batidas sintéticas e programações. Ela apresentou repertório autoral e uma inédita de Caetano Veloso, Pardo.

O rap também mostrou sua força este ano em discos vigorosos. Com Ladrão, o mineiro Djonga chegou ao auge da carreira, em repertório que mistura crítica social e relações sociais e familiares.
Black Alien se uniu ao badalado produtor Papatinho em Abaixo de Zero – Hello Hell. Emicida se aproximou ainda mais da MPB em AmarElo, com participações que vão de Pabllo Vittar a Fernanda Montenegro.

Anitta finalmente se apresentou na edição nacional do Rock in Rio e foi convidada por ninguém menos que Madonna para participar da gravação da música Faz Gostoso. Entretanto, o álbum que ela lançou este ano, Kisses, teve menos repercussão do que notícias sobre a vida pessoal da cantora.

A julgar pelos discos que apresentaram este ano, duas das melhores bandas da atualidade continuam inspiradas. Em O Futuro Não Demora, o BaianaSystem se aproximou dos sons caribenhos. E, entre a melancolia e as invenções melódicas, O Terno veio com Atrás/Além.