Coluna Social: Carmo do Rio Claro

11 de março de 2020

Hoje, a coluna social muda seu perfil, ocasionalmente, para mostrar com nitidez como funciona a alta cúpula política por meio de uma matéria publicada em 2014 pelo Jornal Estado de Minas. O assunto é o Desvio das Águas de Furnas.

A luta pela manutenção do lago começou mais cedo do que podíamos imaginar. Hoje, no sul e sudoeste, 39 cidades que ladeiam o Lago de Furnas reivindicam ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS) que mantenha a cota 762 até as próximas chuvas do verão de 2021 ou, quem sabe, se possível for, chegue até a cota 768 ainda nesta essa estação. 762 é o nível mínimo para que a represa de Furnas atenda a todos os usos da água. Ele foi atingido no domingo (08).

Bom, seguem-se os principais parágrafos do texto “Seca em Furnas pode ir à Justiça”, escrito por Jorge Macedo, postado em 22/04/2014, às 06h e atualizado em 22/04/2014 às 07h43, no site do jornal Estado de Minas:

 

Seca em Furnas pode ir à Justiça

Associação de usuários do lago diz que União está liberando água para hidrelétricas de SP, prejudicando pesca e turismo.

Profissionais de turismo, criadores de peixes e usuários da represa de Furnas, no Sul de Minas, ameaçam processar a União. Eles reclamam que o governo federal está liberando água do lago para a produção de energia em hidrelétricas no estado de São Paulo. A estimativa da Aquatur, associação que representa os usuários de Furnas, é de que entre 2 mil e 3 mil ações sejam propostas até o próximo mês caso o nível do reservatório não se recupere.

João Jeciel Pereira, presidente da associação, diz que o Operador Nacional do Sistema (ONS) mandou liberar água da represa para ajudar na geração de energia em São Paulo, através do Complexo de Urubupungá, formado pelas usinas de Jupiá, Ilha Solteira e Três Irmãos. Esse sistema tem 4,6 milhões de quilowatts (KW) de potência e atende ainda os estados do Mato Grosso do Sul, de Minas Gerais e Goiás. “Estamos sendo obrigados a sustentar Urubupungá e isso gerou uma situação de calamidade ao redor do lago”, afirmou Pereira. Ele diz que a vazão de água prejudicou inúmeros empreendimentos, principalmente de turismo e de pesca.

Uma notificação via cartório foi encaminhada à presidente Dilma Rousseff. “Demos 30 dias de prazo a partir do recebimento e estamos aguardando um retorno”, contou Pereira, que é professor de direito administrativo. Depois disso, diz ele, o caminho será a Justiça com uma avalanche de ações individuais, além de uma ação coletiva. O argumento da associação é que o governo federal não vem mantendo a cota mínima prevista para o reservatório, de 762 metros acima do nível do mar, conforme previsto em acordo com a Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago). Atualmente, ele está em 756 metros.

Esse nível estaria prejudicando, principalmente, quem arrematou áreas em leilões para a criação de peixes. São pequenos e médios empresários que investiram em um negócio que agora, pouco tempo depois, estão sendo prejudicados por uma redução imprevista do nível da água, segundo a associação. Outras pessoas que possuem lotes próprios na região também sentem os efeitos da seca.

[…]

Ministério da pesca admite problema

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que é o órgão responsável pela coordenação e controle da geração e transmissão de energia no país, não comentou a questão. Já o Ministério da Pesca e Aquicultura admitiu o problema e atribuiu as dificuldades a uma seca histórica e imprevisível. De acordo com a pasta, com relação à liberação de água para as usinas, conversas têm sido realizadas com Furnas, visando que seja mantida a cota mínima do lago para reduzir os prejuízos para quem vive de suas águas.

A assessoria do ministério diz que se trata de uma questão delicada, por envolver a geração de energia. Diz ainda ter visitado duas vezes a região, através da superintendência de Belo Horizonte, para verificar a situação. Leilões de lotes no lago foram realizados em 2009, 2010 e 2011 e, entre as pessoas que adquiriram, em torno de 100 estariam enfrentando problemas com a seca. Sobre a ameaça de ações na Justiça, o ministério informou não ver elementos para que isso aconteça. Mas, caso venha a ocorrer, acredita que a Advocacia Geral da União (AGU) não teria dificuldades para fazer a defesa do governo.

Capacidade

O reservatório segue em baixa mesmo com as chuvas constantes dos últimos dias. Segundo o ONS, a Usina de Furnas está operando com apenas 27,7% de sua capacidade. Em outras usinas próximas e que também dependem do lago, a situação é ainda pior. Marimbondo funciona com 21,25% e Água Vermelha com 22,73%.

 

Para ler a matéria na integra, acesse:

https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2014/04/22/internas_economia,521284/seca-em-furnas-pode-ir-a-justica.shtml

Bem, seis anos depois, os municípios continuam em busca de uma cota mínima para a manutenção das atividades no entorno da represa de Furnas. Imagine quanto prejuízo já foi acumulado desde 2014?

O Lago de Furnas mudou expressivamente o ritmo de vida das cidades alagadas que tiveram que se reorganizar diante da nova realidade. Não é justo que esses municípios sofram outra vez as dificuldades de ter que se readaptar, agora, à falta do Lago de Furnas.