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    16/07/2015 00h00

    Do vinho de Diamantina

    Por Stefan Salej

    Diamantina todo mundo conhece. Uns por causa dos tapetes arraiolos, outros pelas vesperatas, os terceiros por causa do ora pro nobis, uma comida deliciosa, e tem gente que até sabe a história da Chica da Silva, a escrava que virou senhora. Da música como Peixe Vivo, das ruas feitas de pedras centenárias. Dos diamantes que eram transportados pela Estrada Real, revivida como caminho turístico, com muito marketing e pouca cultura. E também a Diamantina, terra natal do Presidente Juscelino Kubitschek, presidente bossa nova, democrata e renovador do desenvolvimento brasileiro. Cinquenta anos em cinco era o seu lema e o do Brasil da época.

    Mas, Diamantina, a 4 horas de carro de Belo Horizonte, tem outras histórias a contar, além do seu encanto turístico. Como por exemplo as dos tapetes arraiolos, feitos com lã, que passaram a ser, ao lado de outros produtos de artesanato, como as famosas bonecas, a marca da região. Com forte suporte da Igreja Católica, a Cooperativa, que cuidava do projeto em 30 localidades e chegou a ter mais de 2000 colaboradores, hoje tem um número minúsculo de gente tecendo os tapetes. Muitos explicam, mas mesmo com o esforço de reorganização liderado pelo Sebrae, ninguém diz por que caiu a produção que deu fama à cidade e emprego a tanta gente. O projeto teve apoio financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento e era ponto alto de nova uma fase, além do turismo clássico, na tentativa de desenvolver a cidade.

    A chegada da Universidade Federal do Vale de Jequitinhonha e Mucuri, com seus quase mil docentes e número igual de funcionários administrativos, provocou uma nova onda de desenvolvimento. Dinheiro que chega sem precisar ser produzido localmente, novos consumidores com renda boa, e com alto nível intelectual. Surgiu uma nova classe que, se não se fechar em gueto acadêmico, liderará a inovação e a educação na região e poderá ser realmente um grande potencial de desenvolvimento.

    E não por último tem algo de novo e nobre em torno da cidade. Vinhedos e oliveiras. Lindos, bem organizados, com videiras de várias espécies de uvas, como merlot, tempranillo, sauvignon, e até muscat, entre outros, dão a impressão de que estamos nos vinhedos da Toscana. O Shiraz produzido pelo Chico Meira na Quinta d’Alva se compara aos melhores produzidos no Brasil. Mas, o Dr. João Francisco Meira, diamantense ausente, empresário respeitado no Brasil inteiro, não é o único que está investindo nessa área. Há mais de 20 pioneiros e está se formando um cluster de inovação da melhor qualidade. Nada de novo, de certa maneira, porque o vinho já se produzia em Diamantina no século passado. Tinha até uma estação enológica, que foi desmontada pelos militares na década de 70,como foi também a estrada de ferro, e levada par Bento Gonçalves. Tudo para fazer esquecer de JK e da terra dele.

    Não deu certo, voltou as ser o que é seu destino histórico. Tem vinho muito bom lá. Como tapete arraiolo, só é difícil de comprar.

    STEFAN SALEJ consultor internacional, foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e do Sebrae.
     

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