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    24/01/2020 09h11 - Atualizado em 24/01/2020

    Dia a Dia: A Flor do Caroá - Parte 1

    Maria Mineira

     Aposentado da profissão exercida uma vida inteira, o médico Augusto Rosa sente o coração explodir com as lembranças teimosas de sua infância. Agoniado, aproveita as férias de Cícero, seu neto e faz o convite:

    — Quer conhecer as terras do velho Dionísio Rosa?

     

     Chegam à localidade reencontrando com as ruínas de uma vila e com o passado que doutor Augusto, em vão tentou esquecer. Os pés de caroás não passam despercebidos, logo ele se lembra da fábrica e dos trabalhos artesanais de outrora. Se aquela antiga prensa de madeira pudesse falar...

     

     A curiosidade e a alegria do neto acalmam o avô, mas algo ainda lhe oprime o peito,  sai para um passeio noturno tentando espairecer. Em meio à escuridão, caminha sozinho ruminando lembranças fugidias. O céu constelado e a lua cheia, boiam no leito do rio.

     

     Distraído, pisa sobre as pedras atravessando a correnteza. Estrelas espalham claridade no caminho. O pretume da noite aos poucos se dissolve. Augusto sente um frio a lhe percorrer a espinha quando vislumbra uma luminância vindo em sua direção. Envolvido por aragem nevoenta, se vê cercado por cinco cavaleiros armados, vestidos à moda do cangaço. Dos quais, dois portam Winchesters  papo amarelo e disparam tiros para o alto. O que parecia ser o chefe deles usa na cintura uma pistola  Parabellum Lugee, arma famosa no nordeste, pelas histórias de sua potência.  Em seguida aponta-a para Augusto. Seu rosto estava sombrio e sem ao menos dar boa noite, foi logo dizendo:

    —Vosmicê é dotô? Viemo te buscar. Se avie qui mulé de Corisco tá cum dor. Sem escolha, Augusto se deixou conduzir por aquele bando que vivia no calor das caatingas, saqueando ou fugindo das volantes. No lombo de um cavalo, em meio a cactos espinhentos, sol escaldante e chão estorricado, enfrentou longa e exaustiva viagem pelo sertão afora. Conduzido por estranhos, sem rumo e certeza de chegar vivo, onde quer que fosse.

     

     Havia homens armados à entrada de uma furna. Corisco ia e vinha inquieto; Maria Bonita se via angustiada sem conseguir acalmar a companheira de rosto sofrido, deitada no chão forrado com esteira e trapos. A mulher do cangaceiro gemia alto chamando o marido que suava em bicas ao seu lado, sem poder ajudar.  Indagava a Maria, o motivo de Lampião e os outros demorarem tanto achar uma parteira. Ali, nenhuma das mulheres se arriscava tocar na padecente que gemia:

     

     Depois de entrarem na caverna, tiraram a venda dos olhos de Augusto. Incrédulo, reparou que os homens usavam chapéu de couro na cabeça, limpavam e colocavam munição nas armas de fogo, compostas por carabinas, fuzis e mosquetões modelo  militar brasileiro.

     

     Assustado, verificou que tinham posse de uma verdadeira miscelânea de armas: fuzis Comblains pistolas Parabellum entre outros armamentos. Preparando alguma comida, em volta de trempe improvisada, havia várias mulheres com vestimentas estranhas.

     

    Todas portando punhais na cintura. 

     

    O médico aproximou-se da mulher estendida no chão. Tinha o ventre intumescido pela gravidez  e gemia sem parar. Havia algo errado...Trêmulo deu a ordem:

    —Não quero vivente nenhum me apontando arma aqui. Se ficar esse furdunço essa moça não vai parir é nunca!


    Virando-se para uma das mulheres que segurava uma lamparina de luz fraca disse:

    —Alumie essa escuridão, menina! (Continua na próxima sexta-feira). 

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