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    21/01/2020 09h19 - Atualizado em 21/01/2020

    Dia a Dia: Caixa cheia de Solidões

    Decio Martins Cançado
    Ser pai e mãe, atualmente, não é uma tarefa muito fácil. Os apelos externos ao lar, a rapidez com que as informações chegam às crianças, o uso das redes sociais e os exemplos negativos que rondam as famílias, tipo ‘BBB’ e outros do gênero, além das perniciosas ‘minisséries’ e novelas, não lhes dão o tempo necessário para interagir e exercer a influência educativa com os filhos.
     
    Drogas, não só as mais conhecidas e, até certo ponto, toleradas, acompanhadas de bebidas alcoólicas, consumidas por um em cada três adolescentes; grupos de rapazes e moças que, para se diver­tirem, recorrem à violência, ao vandalismo e ao roubo; escolas que começam o ano letivo com ameaças de greve, emprego incerto, disciplinas sem professor e professores desmotivados. E, por último, se quiser­mos, mas não menos importante, crianças obesas. Ficarmos mais preocupados com a obesidade do que com a droga e o álcool, como alguns pais, não é inteligente. Entretanto, se levarmos em consideração todos estes fatores que destroem o desenvolvimento saudável dos jovens, a nenhum deles podemos ficar indife­rentes porque, afinal de contas, todos convergem em direção ao desequilíbrio de um desenvolvimento harmonioso e saudável. 
     
    Um jornal italiano fez, há tempos, uma reportagem sobre o estado de saúde das crianças e jovens, re­gião por região. O dado que mais se destacava e o mais preocupante era o mal-estar espiritual que, ainda que de diferentes modos, vai ferindo a todos. Desapareceram aquelas relações educativas fundamentais que uniam positivamente os pais aos filhos. Temos tentado subs­tituir estas relações interrompidas com um pouco mais de pre­sentes, de comida, de objetos de todo o tipo. Os jovens respon­deram engordando, fechando-se nos seus quartos, perdendo a autoestima. A família, em poucos anos, de um ninho harmonioso, quente e seguro, tornou-se uma caixa cheia de solidões. Apressemo-nos a tomar medidas. Comecemos, a qualquer hora, a ouvirmo-nos mais, recorramos menos ao mundo dos negócios, retiremos da rua e da tele­visão o que a elas temos delegado. Precisamos, sem demora, deixar de colocar a família sempre depois do trabalho.
     
    Na Inglaterra, um jornal trouxe, certa vez, a notícia que o diretor do colégio frequentado pelos filhos do primeiro ministro Tony Blair, havia lhes dado ‘falta injustificada’ porque regressaram um dia após o término das férias. O diretor convocou Blair para comparecer com urgência ao colégio. Grande surpresa e espanto; saber que um político tão importante e famoso tenha se prestado a ir à es­cola e receber uma advertência. Blair se comprometeu a não repetir tal irregularidade.
     
     Não é fácil libertarmo-nos das teias que a vida tece. São necessários sacrifícios, e as desilusões espreitam. As tarefas cotidianas sorvem muita energia e não deixam tempo para a reflexão. O aturdimento acompanha?as. Na ausência de leituras sãs, a mente fica repleta de banalidades e de ideias deturpadas, que se expandem como erva daninha. As tensões acumuladas irrompem, muitas vezes, com graves consequências. A ambição domina e impede o aperfeiçoamento interior.
     
    A TV insiste em transmitir programas violentos e grosseiros, sem respeito pelas crianças, que vão sendo contaminadas, perante a passividade dos pais. A retidão dá lugar à mentira, a cultura da morte banaliza-se e a interioridade é substituída por uma exteriorização vazia de conteúdo.
     
    Os pais não têm tempo para os filhos, que andam à deriva e caem na marginalidade, devido ao alheamento dos adultos e à indiferença destes perante a dimensão ética da vida. O materialismo impera. A informação é prioritária e a formação moral esquecida, deixando os jovens sem defesas perante as contradições de uma sociedade onde, quem tem a função de governar, governa mal, onde o que é fútil recebe lugar de destaque e aqueles que têm menos recursos são os mais prejudicados. 
     
    Não há soluções fáceis para uma sociedade que perdeu o norte. De pouco adiantam medidas de caráter prático, quando não se identificam as verdadeiras causas e se persevera no erro. É necessário menos ativismo e mais interioridade, uma atitude humilde e discreta em lugar da ostentação tornada tão comum, um sentido de disciplina capaz de sobrepor-se à permissividade reinante. As deficiências na educação das crianças e adolescentes devem ser supridas por uma maior receptividade dos pais ao diálogo e pelo incitamento à leitura que, por sua vez, favorece a reflexão.
     
    A ausência de princípios éticos deixa as pessoas desorientadas face ao materialismo que invade todos os domínios, alimentando o egoísmo, a ambição, a vaidade. Ignora-se tudo a respeito dos aspectos fundamentais da existência, do sentido da vida, do espírito de infância que precisa nascer no meio do deserto criado pelos homens.

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