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    20/01/2020 10h17 - Atualizado em 20/01/2020

    Professores repercutem fala nazista

    Retrocesso
    PASSOS – Professores e ex-docentes da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), Unidade Passos, repercutiram ontem, 18, o vídeo publicado nas redes sociais da Secretaria Especial de Cultura do governo Jair Bolsonaro (sem partido). Na publicação, o agora ex-secretário Roberto Alvim ecoa trechos de discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha nazista.
     
    Para o professor doutor em Linguística Samuel Ponsoni, que atuou na Uemg como coordenador do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda até dezembro de 2019, o abjeto vídeo do ex-secretário da Cultura do Brasil é tão somente a irrupção de uma estrutura historicamente autoritária, preconceituosa, persecutória e desigual que se expõe diuturnamente no governo Jair Bolsonaro. 
     
    “Não que esse percurso estrutural-histórico tenha surgido na ascensão de Bolsonaro à presidência, mas certamente ele é o político – e o movimento político – que, até aqui, melhor encarnou e lapidou essas formas, agora, mais do que nunca, legitimada no tecido social.
     
    Nem se pense aqui apenas na infração jurídica cometida por Alvim, qual seja, a apologia ao modo de existir e ser no mundo do nazifascismo. A questão é muito além dos valores jurídicos. Ao trazer uma encenação de fala, com tom de voz, música, imagens, cujos valores remetem às falas de Paul Joseph Goebbels, Alvim incorpora em seu discurso diversos expedientes da ordem de uma memória histórica que se atualiza e preenche as significações que comungam com esses valores nazifascistas, mas os preenchem por já circularem, em outras formas (truculência, preconceito, ódio, militarismo, autoritarismo, intolerância ao diverso), na sociedade, postando-se, volta e meia, a testar os limites do aceitável e inaceitável”, disse o professor.
     
    “Coincidência retórica”
     
    Ainda conforme Ponsoni, por um istmo de lucidez, algumas instituições e personalidades públicas (sobretudo de fora do Brasil) reagiram fortemente a isso e Alvim foi exonerado e seus discursos rechaçados. “Todavia, e vale lembrar aqui, pouco antes da publicação do vídeo, Alvim foi predicado, na fala do presidente, como “agora, sim, temos um secretário de cultura de verdade”. Mesmo as tímidas desculpas de Alvim, evidentemente culpando outras pessoas, endossaram o conteúdo nefasto da fala copiada de Goebbels como “coincidência retórica, mas é perfeita”. Pode-se pensar, então, em coincidência de  valores entre o presidente e seu ex-secretário?”, questionou.
    O professor dos cursos de Comunicação da Uemg afirmou que, enquanto temos que lidar com esses “testes” de limites suportáveis e insuportáveis dos discursos do atual governo, é preciso ressaltar que a agenda econômica ultraliberal de Paulo Guedes, que visa perpetuar valores de desigualdades, retirada de direitos, entre outras coisas, segue a todo vapor, vide os desmontes previdenciários e da Ciência e Educação. 
     
    “Aliás, o próprio ministro da Educação é uma outra personagem que está, beligerantemente, testando os limites do suportável/insuportável da sociedade brasileira. 
    Não custa recordar, à luz fatos históricos, que a ascensão dos discursos e práticas  nazifascistas, trazidas por Alvim, foram gestados em uma conjuntura histórica de aumento da desigualdade, imposição selvagem do capital e precarização da classe trabalhadora. Portanto, a conferir os rumos que a sociedade brasileira tomará”, garantiu.
     
    A revista alemã Der Spiegel disse que o discurso de Alvim foi chocante e destacou a ideia do ex-secretário de promover “religião e nacionalismo na arte”. A publicação classificou o governo Bolsonaro como “populista de direita” e destacou também a reação da Embaixada da Alemanha no Brasil, que no Twitter disse opor-se “a qualquer tentativa de banalizar ou mesmo glorificar a era do nacional-socialismo”.
     
    A pós-doutora em Comunicação, também professora da Uemg, Unidade Passos, Rosângela Borges à fala de Alvim remete a uma ideologia nazista, algo que entende inadmissível a um país ou a qualquer lugar do mundo que se quer democracia. “É uma fala que não cabe, ainda mais para um secretário (agora ex) de Cultura de um governo, no qual o povo deseja, sim, manter a democracia. E, portanto, é uma fala que pode remeter a uma escalada de violência num país que já tem um alto índice de violência. E isso não tem cabimento para um membro do governo. A demissão desse secretário foi um ato necessário, embora exista uma preocupação de que essas falas possam aparecer na voz de outros membros do governo. Que a democracia permaneça como um processo no Brasil”, garantiu a professora, que preza pelos direitos da pessoa humana.
    Para o professor doutor Frederico Daia Firmiano, ex-coordenador do curso de PP da Uemg e atual coordenador do Centro de Pesquisa e Extensão (Cepex), “a fala desse senhor não causa estranheza e não é alheia à filiação ideológica do conjunto do governo, de um nacionalismo misógino, racista, machista, que tem fobia de grupos LGBT. A demissão do secretário, nesse contexto, é supérflua, perfumaria. 
     
    O que devemos pensar com cuidado é que, por baixo desse nacionalismo, que por si só já é bastante problemático, se esconde um projeto ultraneolibral, que entrega todas as riquezas nacionais ao capital cigano transnacional, destrói direitos sociais e trabalhistas e que é tão saudado pelos mais diversos setores da sociedade, os chamados liberais e afins. O que, a propósito, só mostra o quanto, para o capital, tanto faz quem atende às suas demandas. Enquanto o governo continuar ampliando as condições de acumulação e valorização do capital, nem um dito liberal vai reclamar”.

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