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    15/01/2020 09h23 - Atualizado em 15/01/2020

    Dia a Dia: Frango com quiabo

    Sebastião Wenceslau Borges

    Fui criança num tempo bem lá atrás, nos anos 50. E num ano dessa década, em férias escolares de fim de ano, um colega de classe, Naldo, vizinho de minha casa, e que ficava na casa de sua tia aqui em Passos para estudar, fez um convite a mim e a outro colega Toninho para passarmos uns dias na fazenda de seus pais. Preparativos: roupas para levar, escova de dente, dentifrício, vidro de iodo para as mordidas dos insetos, conselhos e recomendações: “Obedeça a eles como se fossem seus pais! Não vai brigar com os meninos da roça! Cuidado, não entra no mato porque tem muita cobra! Cuidado com as venenosas taturanas bezerras! Não faça isso! Não faça aquilo!”

     

    E finalmente o grande dia chegou. Ainda no escuro da madrugada, bem próximo de casa, estávamos nós a espera do caminhão leiteiro que fazia a linha Bananal com saída pelo bairro da Penha por onde era o nosso destino desta tão sonhada férias. Ainda bem de manhãzinha, chegando, do alto já avistamos a fazenda, com uma bonita vista que dava de frente com um desvio do rio São João. O curral maior para o retiro, e um menor para os bezerros bem ao lado de uma velha paineira, que com o vento, soltava nuvens brancas das fibras da paina que caíam no telhado e por todo o quintal. Na chegada, estavam vários meninos filhos dos colonos nos olhando desconfiados. Naldo os chamou, nos apresentou e juntos fomos conhecer a fazenda. O local de fabricação dos queijos e requeijões, a casinha do engenho com uma mosquitada danada, muita cana cortada e empilhada para o feitio de melado, rapadura e do açúcar batido. Um rego dágua que fazia o monjolo bater sem cessar, e a horta de verduras cercada por bambus, protegendo das galinhas, pintos, patos e dos gansos com seus enormes pescoços. Logo ali na frente, o melhor: o grande pomar com frutas a nos esperar! Na casa da fazenda o que mais nos despertava a atenção eram os batentes, as portas e as janelas enormes, como nos disse sô Eliseu, pai do Naldo, tudo feito a machado e enxó.

     

    Depois de um gostoso almoço com postas de carne cozida tiradas da lata de gordura, abobrinha e couve picada, feito por Dona Antônia, mãe do Naldo, e com doce de leite na sobremesa, saímos nos lombos dos animais para um passeio.

     

    Nesse primeiro dia chupamos muita laranja, nos lambuzamos com manga e entramos no mingau quente de milho verde! Na hora de deitar tomamos leite com farinha, lavamos os pés, pegamos a lamparina e fomos para a cama sentindo um aroma de feijão cozinhando, e ouvindo o mugido do gado já beirando o curral. Deitamos e a barriga começou a roncar, o intestino entrou em evolução. Um resmunga: “Estou com dor de barriga!” “Eu também!” Falamos juntos. Sair para a horta era dar de encontro com os cachorros soltos vigiando o galinheiro das raposas. O jeito foi seguir o Naldo com a lamparina á frente, destramelar a porta da cozinha, enfrentar a latição dos cachorros, e cada um se ajeitou num lugarzinho pelo terreiro a fora para desafogar o intestino!

     

    Passado esse aperto, ainda nessa nossa primeira noite, nos levantamos antes do dia clarear, calçamos as botinas e fomos tomar o esperado leite tirado na hora, ao pé da vaca. Entramos pelo meio das vacas pisando, sujando, escorregando nos estrumes, e o Sô Eliseu, nos vendo, escolheu a vaca sem risco de doença, e com suas mãos habilidosas fazia verter das tetas o jato de leite que enchia a caneca em poucos segundos, misturando aquela espuma branca com o doce da rapadura ralada nas canecas esmaltadas: era o desconhecido café da manhã para nós, meninos da cidade!

     

    E a nossa rotina nessas férias até o dia da volta era: acordar sem pressa, sem saber qual era o dia da semana, andar a cavalo, nadar, pescar, jogar bola, chupar muitas frutas, fazer um balanço num galho forte da paineira... Sabendo que estava a nossa disposição na grande mesa da cozinha um queijo fresquinho, acompanhado numa tigela, o gostoso doce de leite mole, um balaio de milho verde para o preparo das pamonhas, e esperando para o almoço, aquele frango ao molho com quiabo e uma pitada de pimenta com salsa e muita cebolinha!

     

    É o tempo passando e a gente “Memoriando”!
     

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