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    11/01/2020 10h16 - Atualizado em 13/01/2020

    Dia a Dia: A vingança de uma idosa professora

    Luiz Guilherme Castro Winther

    Um pouquinho de humor hoje. Cidade pequena é aquela em que todo mundo se conhece e quase todos têm parentesco ou quase. Fica complicado viver num lugar assim, pois, por tal razão, ninguém deseja problemas nem inimizades. Mas, de vez em quando, por alterações etílicas na maioria das vezes, sai algum arranca rabo. Havia uma dessas cidades no interior de um estado.

     

    Uma professora bem idosa, já aposentada, é claro, foi envolvida num episódio que culminou num processo judiciário. Era a quase centenária professora Raimunda da Severina. É aquela história de qualificar a pessoa como filha de sicrana ou sicrano, algo muito comum em nosso país. Era idosa, mas, de excelente saúde!

     

    Tanto o advogado de defesa do réu, como o promotor público e ainda o juiz da, já então, Comarca de Rio que Canta , foram alunos, no curso primário, da professora Raimunda. Cresceram, foram estudar fora e tiveram a oportunidade de voltar para trabalhar na própria cidade deles. Algo meio raro, mas, acontece.

     

    Na audiência, o juiz dá a palavra ao advogado de defesa, que solicita o testemunho da professora Raimunda.

     

    - Professora Raimunda da Severina, assim que a senhora é conhecida em nossa cidade, não é mesmo?

     

    - Perfeitamente, foi sempre assim e tenho orgulho de ser filha da minha falecida e saudosa mãe, a Dona Severina.

     

    - Muito bem! Professora, eu sei que a senhora já me conhece desde que eu era pequeno e fui seu aluno no curso primário, concorda? O que a senhora tem para me dizer agora neste momento? Eu vou...

     

    Sem esperar que o advogado continuasse a pergunta, ela já desandou a falar, achando que era para falar sobre ele.

     

    - Então, meu caro ex-aluno! O que eu tenho a dizer é que você foi um moleque muito arteiro, não respeitava professora, escola, colegas, ninguém! Você era uma peste e ainda invadia o quintal dos vizinhos para roubar frutas e sei que até uma bicicleta você roubou uma vez e foi apanhado em flagrante. Seu pai teve um trabalhão para resolver a situação. O pai do menino que você roubou era amigo de seu pai também, foi sua sorte! Mesmo assim, seu pai teve problemas e passou a maior vergonha. Você era um capeta, nem sei como foi que chegou a ser advogado! E ainda tenho mais coisas para falar de você, coisas feias mesmo!

     

    - Tudo bem, professora! Tudo isso já passou, o que eu quero saber é sobre o processo aqui, no qual a senhora é testemunha, vamos ao assunto que interessa.

     

    - Não, meu jovem! Lembrei-me agora de uma coisa bem suja de seu passado e vou contar aqui, para todo mundo saber.

     

    O advogado, mais que depressa:

     

    - Meritíssimo juiz, eu voltarei com a testemunha depois, pode ser?

     

    - Concordo, passo a palavra para o promotor, diz o juiz.

     

    - Professora Raimunda da Severina, sou o promotor público dessa cidade e sei que a senhora foi minha professora e me conhece muito bem, sabe sobre minha família e até tem amizade com minha mãe, concorda?

     

    - Claro! Sua mãe sempre contou muito mais do que eu sabia quando você foi meu aluno. Não era um mau aluno, mas, também, não era bom. Nem sei como chegou até aí! Deve ter criado mais juízo depois de adulto. Mas, quando pequeno e adolescente você aprontava cada uma! Aquela menina de quatorze anos, que você engravidou e não casou com ela, está criando o seu filho até hoje. Aliás, ele já está mocinho e é a sua cara. A sorte foi seu pai ter dinheiro e contornar a situação, porque o pai da menina era brabo! Sei de outra sua também...

     

    O promotor, gaguejando, não deixou a professora terminar:

     

    - Pro-pro-fe-fe-ssora Rai-Rai-mun-mun-da, va-va-mos direto ao a- a-a-ssu-ssun-nto que in-in-te-te-re-re-ssa.

     

    O juiz, vendo toda aquela confusão e percebendo que seria impossível continuar a audiência, tentou salvar o promotor dos vexames que estava passando. Chamou o advogado do réu e o promotor até sua mesa, disse que iria dar uma pausa na audiência para que a situação se acalmasse e a idosa professora entendesse que aquilo era uma audiência em que ela era testemunha e só poderia responder o que lhe fosse perguntado.

     

    Terminando de falar com os dois, o juiz diz:

     

    - E tem mais, se um de vocês perguntar a esta... (palavrão sufocado) desta velhota aí se ela me conhece, sairá preso daqui! Estamos conversados?

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